Star Trek 50 anos – Edição Comemorativa

Star Trek é a franquia de maior sucesso contemporâneo no campo da Ficção Científica. Criada por Gene Roddenberry, a série foi ao ar pela primeira vez no dia oito de setembro de 1966, há exatos cinquenta anos! De lá para cá foram treze filmes, seis séries diferentes, além de centenas de livros, hqs, jogos e etc.

Há elementos básicos dentro do universo de Roddenberry e que aparecem, de alguma forma, em todas as obras da franquia. O primeiro deles é a existência da Federação dos Planetas Unidos. Essa organização é instituída a partir do primeiro contato entre humanos e Vulcans, e visa a paz e colaboração entre diferentes espécies, exploração científica e espacial. Sua encarnação social não é restrita a apenas um planeta, mas vários. Deste modo, há embarcações da Federação que são comandadas por humanos, outras por Vulcans, Andorians, e etc.

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Bandeira da Federação dos Planetas Unidos

A Federação possui um braço militar, a Frota Estelar. Composta por centenas de embarcações espaciais, estas assumem diferentes funções. Há embarcações para exploração do espaço profundo, outras direcionadas a missões científicas de curta-distância, bem como patrulha de regiões mais afastadas e etc.

A nave mais famosa de toda a franquia é a Enterprise, que passou por diversas encarnações de modelos diferentes, bem como capitães, tais como o famoso Capitão Kirk, e depois Jean Luc-Picard. E até mesmo Data, o androide mais querido de toda a ficção científica, em algumas HQs. Além disso, é importante ressaltar que nem todas as produções da franquia se centram na Enterprise.

USS Enterprise, modelo NX-01
Enterprise, modelo NX-01

Outro ponto comum, que está inserido dentro da Federação, é a Diretriz Primária. Essa norma, que funciona como um imperativo categórico kantiano, é seguida por todos os membros da Frota Estelar, e estabelece como o contato com diferentes povos e grupos deve ocorrer. Além é claro de restrições bastante significativas sobre usos de viagem no tempo e etc.

Em 2009, J. J. Abrams, famoso por Lost e Fringe, foi contratado para lançar um reboot do universo. Isto é, coube a ele pegar elementos específicos que compõem a franquia, mas relança-la com uma nova história. Diferente de um remake, não se almeja uma cópia da obra original, mas sim desenvolver novas histórias, que contem com personagens já familiares ao público, mas interpretados por novos atores.

Poster de Star Trek (2009)
Poster de Star Trek (2009)

Em 2016, Star Trek retornou. Nos cinemas, foi lançado a terceira produção do novo universo de Abrams, Star Trek: Sem Fronteiras, onde a tripulação da Enterprise enfrenta um novo e terrível inimigo. Além disso, a CBS, produtora que detém os direitos da série, já confirmou uma nova série, Star Trek: Discovery. Prevista para ser lançada em 2017, seu lançamento será tanto televisivo quanto via streaming Netflix.

Além das produções tidas como originais, há também aquelas realizadas por fãs. Incontáveis, estas não são consideradas canônicas pela CBS. Mas não significa que são ruins. Pelo contrário, Axanar (2014) e Star Trek: Renegades (2015) se destacaram pela sua qualidade, bem como participação de atores já conhecidos pelos espectadores.

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Poster de Star Trek: Renegades (2015)

O fato é que, nos últimos 50 anos, Star Trek foi um fator de locomoção cultural que promoveu a integração entre países bastante diferentes, deixando de fazer sucesso apenas nos EUA. O pioneirismo da série pode ser observado nas outras grandes sagas de ficção científica que lhe sucederam, principalmente no quesito televisivo.

Ao contrário de Doctor Who, série britânica que foi criada três anos antes de Star Trek, a aposta por um público que não fosse apenas norte-americano e a possibilidade de expansão do universo da série foram alguns dos fatores responsáveis por seu sucesso. Fatores esses que foram posteriormente aprimorados por George Lucas, criador de Star Wars.

Roddenberry afirmou ter se inspirado no faroeste para criar Star Trek, vemos que na trajetória da saga isso é perceptível, mas perde espaço para o teor exploratório. Star Trek acaba se tornando a primeira série a proporcionar encontros com espécies interplanetárias e traz questionamentos e inovações importantíssimas para a teledramaturgia de sua época.

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Uhura beija Kirk em Star Trek: a série original

Nichelle Nichols, que fez a Uhura na série original, foi protagonista do primeiro beijo inter-racial da televisão dos EUA. Ela foi e é considerada uma grande inspiração para as mulheres negras dos EUA que, ao verem que ela estava na televisão, se sentiam motivadas e inspiradas a seguirem seus próprios sonhos, em uma época onde isso não era fácil. Martin Luther King Jr em pessoa entrou em contato com Nichols para agradecer por seu trabalho e impedir que ela desistisse dele.

Diversos astronautas e outros funcionários da NASA afirmam terem escolhido a profissão por serem muito fãs de Star Trek. A série motiva essas pessoas a seguir buscando por outras formas de vida e faz com que o trabalho deles seja cada vez mais reconhecido pela população.

O presidente Barack Obama fez a saudação Vulcan em um de seus discursos. Cursos, monografias, dissertações e teses são escritas e publicadas anualmente a respeito da saga. É impossível ignorar a importância cultural que ela carrega.

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“RIP Leonard Nimoy. Muitos de nós na NASA foram inspirados por Star Trek” – Mensagem deixada por funcionários da NASA no dia do falecimento de Nimoy.

Considerada tipicamente masculina, de acordo com a nossa concepção de gênero, a ficção científica, que muitas vezes ignora o fato de ter sido inventada por uma mulher, demonstrou-se um local de valorização do feminino, a partir de Star Trek.

Voyager é a primeira série de ficção científica a ser protagonizada por uma mulher e a passar no teste de Bechdel. Esse teste verifica se há quantidade suficiente de diálogos entre mulheres e que não sejam sobre homens. A Capitã Janeway quebra diversos estereótipos e é um grande símbolo de resistência e força feminina.

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“A coisa mais importante da vida é ser você mesmo. Exceto se você puder ser Capitã Janeway. SEMPRE seja a Capitã Janeway”.

Sendo produzida por humanos, é inevitável que a série aborde temáticas consideradas importantes para nós. Por essa razão, a disputa entre homens e máquinas, entre o bárbaro e o civilizado, o indivíduo e o coletivo, a lógica e o sentimento, dentre diversas outras facetas da alteridade, são exploradas como pano de fundo para alguns trechos da história.

Seja nas séries, filmes, jogos, quadrinhos ou livros, Star Trek é uma série de narrativa rica e provavelmente infinita. Impulsionada por milhares de fãs ao redor do mundo, parte da cultura material de uma imensa geração de pessoas e capaz de mover multidões, torcemos para que ela tenha uma vida longa e próspera, sempre produzindo bons frutos para nós, sedentos de boas reflexões, narrativas, produções e novas histórias para repassar a outras gerações.

Contraste humano-máquina expresso por Locutus Borg e Rainha Borg
Tensão humano-máquina expresso por Locutus Borg e Rainha Borg

Neste dia especial, em que se comemora os 50 anos da série, só temos a agradecer a todas as pessoas envolvidas em sua produção, desde os maquiadores e demais profissionais da produção, aos atores e roteiristas. Obrigada. Vocês movem o nosso mundo e melhoram a nossa vida. Parabéns!

Vida Longa e Próspera - Spock
Vida Longa e Próspera – Spock

In Memoriam a Leonard Nimoy, nosso eterno e adorado Spock.

Texto escrito por Mayra Sousa Resende e Willian Perpétuo Busch. 

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