10 Personagens Femininas em Desenhos

Desenhos animados fizeram e fazem a infância de muitas pessoas. As imagens arquetípicas femininas demonstradas neles são muito importantes para a construção do caráter dos espectadores. Por esta razão fiz uma lista com personagens femininas incríveis, que fizeram parte da infância de quem viveu os anos 2000!

1. MENINAS SUPERPODEROSAS (1998)

Na mesma linha que Três Espiãs Demais, Meninas Superpoderosas explora a história de Lindinha, Docinho e Florzinha. Logo na abertura do desenho somos levados a conhecer o mito de origem das personagens, que foram criadas acidentalmente pelo Professor, após misturar açúcar, tempero, tudo que há de bom e um pouquinho de elemento X.

O elemento X é visto como responsável pelos superpoderes das meninas. Elas seguem crianças por todo o desenho, que se passa entre a escola e os conflitos vividos com uma série imensa de vilões. As meninas trabalham ajudando o Prefeito de sua cidade (Townsville). Ao mesmo tempo, o espectador presencia conflitos delas com seu pai, o Professor, que passa toda a narrativa tentando encontrar as melhores formas de educar as garotas.

As Meninas superpoderosas.

Ao final de cada episódio uma vinheta aparece, dizendo que “mais uma vez o dia foi salvo pelas meninas superpoderosas” e muitas vezes eu assistia o desenho só esperando este final aparecer. Só quem viveu isso sabe quão consoladora é a ideia de que três pessoinhas minúsculas e criadas por acidente pudessem salvar o mundo todos os dias.

2. X-MEN: EVOLUTION (2000) – TEMPESTADE/JEAN GREY

X-Men é repleto de mulheres incríveis, sem dúvida. Gosto de ressaltar a Tempestade por ela ser africana e representar toda a magia e bruxaria existente na região. Os poderes dela podem ser associados com diversos mitos africanos, incluindo com a Orixá Iansã/Oyá. Por si só, a simbologia do nome e dos poderes da personagem já fazem com que ela seja incrível. Assistindo ao desenho, porém, temos ainda mais certeza deste fato.

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Tempestade/Ororo de X-Men: Evolution.

Tempestade é destemida, determinada e não tem medo de pegar as responsabilidades para ela. Se o Professor Xavier é o comandante geral da escola, ela certamente é a vice-diretora. Não apenas uma das primeiras a conviver com o Professor, ela também é um exemplo em autocontrole e maturidade em relação aos próprios poderes e aos problemas que os mutantes enfrentam com os humanos e com os mutantes parceiros do Magneto. Quando o sobrinho dela, Evans, aparece na narrativa do desenho, percebemos que sua imposição de disciplina e responsabilidade é eficaz. Ver que seu sobrinho consegue se adaptar à escola e fazer parte do time é um orgulho não apenas para ela, mas para todas as espectadoras. Ororo certamente foi uma das personagens mais importantes da minha infância.

Escolhi a Jean Grey para dividir o espaço com ela na lista por ser a outra grande personagem feminina do desenho animado. A gente vê a Jean crescer e desenvolver os próprios poderes durante vários episódios e a gente vive as dificuldades junto com a personagem. Quando ela perde totalmente o controle, torcemos para que se recupere e não exploda ou morra. Jean inspira confiança e a crença de que tudo pode se resolver. Ela faz a gente acreditar que não é porque escuta vozes ou tem a cabeça bagunçada que se é maluca e que a vida é impossível. Tudo tem um jeito. Mesmo que a gente não more em uma escola tão legal quanto a dela.

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Jean Grey de X-Men: Evolution.

3. LIGA DA JUSTIÇA (2001) – MULHER MARAVILHA E MULHER GAVIÃO

Sei que há diversas gerações da Liga da Justiça, com personagens diferentes. No desenho que eu costumava ver, a Mulher Maravilha e a Mulher Gavião faziam parte do grupo. Sinceramente, as cenas delas eram sempre mais interessantes do que as do Batman e do Superman. Eu gosto muito deles, mas neste desenho os personagens eram bem chatos.

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A Mulher Maravilha é encantadora pelos seus poderes e pelo fato de ela ser uma Amazona. A caracterização da personagem sempre me chamou atenção, principalmente por causa das munhequeiras douradas, que ela utiliza como escudos. A personagem sempre representou força inabalável e uma perspicácia de batalha invejável.

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A Mulher Gavião, por sua vez, tinha uma roupa ainda mais interessante. Seu cetro redondo e pontudo me dava medo. Ao mesmo tempo, queria muito ter um daquele. Ela é imponente e sabe muito bem lidar com adversidades e vencer seus oponentes sem depender da ajuda de outros. No entanto, como se trata de um desenho sobre uma equipe de heróis, o cooperativismo era impulsionado em todos os episódios. E não tinha nada de ruim nisso, pelo contrário! Até hoje considero que este tipo de desenho é a melhor forma de aprender a importância de cada um dentro de um grupo e a importância do grupo para cada um. Essas são coisas que a gente não deveria esquecer.

4. CLUBE DAS WINX (2004)

Bloom, Stella, Flora, Musa, Layla e Tecna são fadas adolescentes. Bloom é a personagem principal da história, tendo recém descoberto seus poderes e estando em fase de aprendizado básico sobre como lidar com eles. As seis meninas, juntas, compõem um grupo mágico muito poderoso, chamado Winx. Quando elas se dão as mãos, se tornam invencíveis, como diz a música de abertura do desenho.

Esta frase, no entanto, tem um sentido duplo. Primeiro, é fato de que quando elas se dão as mãos, propriamente falando, seus poderes se unem e ficam ainda maiores e elas ficam, de fato, próximas da invencibilidade completa. Segundo, há uma noção figurativa para o “quando damos nossas mãos nos tornamos invencíveis”, simbolizando a amizade das garotas. Quando elas se ajudam mutuamente na resolução de conflitos pessoais, também são invencíveis. No fim das contas, a amizade as torna tão invencíveis quanto seus poderes mágicos e acaba se tornando, ela própria, um poder mágico. Essa é a principal mensagem da narrativa e, cá entre nós, é uma baita mensagem!

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Clube das Winx

Se hoje em dia falamos tanto sobre sororidade e sobre como precisamos diminuir a rivalidade entre as meninas, Winx é um grande passo em direção a este futuro de irmandade feminina. A amizade das garotas realmente faz toda a diferença na luta contra seus oponentes e nas lutas diárias que elas mesmas passam.

5. TRÊS ESPIÃS DEMAIS (2001)

Clover, Sam e Alex são três adolescentes de Beverly Hillls que têm uma vida cotidiana comum. Elas frequentam a escola, fazem compras, se envolvem em problemas românticos e familiares e… salvam o mundo nas horas vagas.

As três trabalham para a WOOPH, uma empresa especializada em investigações secretas. Como espiãs, as três têm uma vida alternativa. Recebem missões inusitadas diariamente, viajam o mundo resolvendo mistérios e possuem os aparatos mais incríveis já vistos.

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O desenho gira em torno delas e de seus conflitos pessoais. Entrar em contato com esta obra em minha tenra infância foi muito importante para que eu percebesse que poderia ser uma super-heroína, mesmo sem poderes. Minhas brincadeiras com as amigas giraram em torno de investigações por um bom tempo e até planejávamos fazer faculdade de detetives particulares. Foi bastante trágico crescer e descobrir que isso não existe.

6. A VIDA E AVENTURA DE JUNIPER LEE (2005)

Juniper Lee é a personagem principal do desenho homônimo. A garota descobriu ainda jovem que havia recebido os poderes de sua avó e que seria uma caçadora de demônios. Sua avó havia cumprido a missão por muitos anos, até chegar a uma idade muito avançada. Foi aí que a responsabilidade passou para Juniper.

Seu principal poder é enxergar os demônios, que só são visíveis para ela. Além disso, a garota passa a treinar arduamente técnicas de luta. Ela é auxiliada por seu cachorro – que funciona como mentor em sua jornada – e por seu irmão mais novo, que é seu ajudante.

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Juniper e seus ajudantes.

Juniper é a personagem principal da narrativa, que aborda novos monstros a cada episódio, mas também dificuldades pessoais da garota. Ela entra em contato com a história de sua família, começa a descobrir a questão amorosa e tem que abdicar de várias decisões em prol da responsabilidade que sua missão demanda.

Seu visual é incrível, tendo uma mecha colorida e utilizando roupas comuns, como calça jeans e camiseta. Ela é a super-heroína adolescente que representa todas as meninas que cuidam das próprias vidas, vencem os próprios obstáculos e não fogem das adversidades. Tudo isso sem precisar se embonecar toda ou ter um figurino sensual, mas mantendo suas qualidades interiores e a autenticidade.

7. KIM POSSIBLE (2002)

Kim Possible é ruiva, magra e utiliza uma calça estilo soldado, com uma blusa justa, cumprindo todos os estereótipos físicos que se espera de uma super-heroína. Mas não é por causa de seu visual que seu trabalho ou importância são diminuídos.

Kim está sempre entre o possível e o impossível. Ela não tem poderes sobrenaturais e atua basicamente como As Três Espiãs Demais, resolvendo crimes e investigando pistas. Ela é auxiliada por seu melhor amigo que, no decorrer da história passa a ser seu namorado, e por seu animal de estimação, que é uma toupeira.

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O desenho de Kim, assim como o das Winx, ressalta o valor da amizade. A música de abertura já diz isso. Qualquer um pode entrar em contato com Kim Possible, relatando seus problemas e dificuldades, que ela aparece para ajudar. Isso ressalta a ideia de que a gente deve lutar para resolver nossas situações sozinhos, mas não deve esquecer de contar com os amigos, sempre que precisarmos. Kim está sempre nos lembrando de que é nossa amiga, para que a gente sempre se lembre de que nada é realmente impossível.

 8. OS CAMUNDONGOS AVENTUREIROS (1997) – EMILY

Os Camundongos Aventureiros conta a história de dois camundongos – Emily e Alexander. Ela vem do campo e ele da cidade. Os dois são primos, que se conhecem nos EUA e passam todos os episódios viajando. Nestas viagens eles conhecem outros personagens aventureiros e legais, mas também se deparam com vários crimes e os investigam. Na maior parte das vezes o culpado é o Sem Rabo Não Vale Nada.

Os episódios as vezes se passam em locais e contextos históricos bastante interessantes, o que torna o desenho uma ótima fonte de conhecimento cultural, para além do entretenimento incrível.

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Emily é visivelmente mais corajosa do que Alexander. Ela é destemida, responsável e está sempre solucionando os mistérios antes dele. Isso é bastante interessante, porque quebra com a ideia de que pessoas do campo são mais “atrasadas” em relação às pessoas da cidade. Além disso, ser menina nunca impede que Emily encare a aventura que lhe aparece pela frente e isso é maravilhoso de ser assistido.

9. OS THORNBERRYS (1998) – ELIZA

O desenho é por si interessante. Uma família que mora em um trailer e viaja pelo país. O pai, Nigel, apresenta programas relacionados a viagens, que são dirigidos pela mãe, Marianne. Eles têm duas filhas: Debbie e Eliza. A mais velha é egocêntrica e gostaria de passar o dia inteiro ouvindo músicas em seu walkman. É uma personagem chata e mal desenvolvida, que cumpre a função de “adolescente rebelde” da família. Ela é também a babá de Donnie, um menino cujos pais morreram e foi criado por macacos, até ser adotado por Nigel e MarianneEliza, por sua vez, tem o dom de falar com animais. Não à toa, seu melhor amigo é o chimpanzé Darwin.

A personagem chama atenção logo de cara, pelo visual. Ao contrário da irmã Debbie, que cumpre todos os padrões de beleza estabelecidos pela nossa sociedade, Eliza usa óculos, aparelho e tem os cabelos cacheados. Atualmente os cabelos cacheados já são socialmente aceitos em alguns espaços, mas há alguns anos eles eram puro sinal de desleixo da menina que os usava.

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Eliza Thornberry

O desenho rompe com os padrões ao nos mostrar que, justamente a menina para quem ninguém dá bola a princípio, é a que tem um dom especial e a que protagoniza a história de todos os episódios.  Logo, além de nos mostrar uma família maravilhosa que vive viajando, a narrativa ainda nos ensina a acreditar no nosso potencial ao invés de acreditar nos xingamentos e críticas destrutivas que os outros nos fazem.

 10. SCOOBY-DOO (1969) – VELMA

Seria impossível terminar esta lista sem falar da Velma. Todo mundo sabe que Scooby-Doo é o desenho que conta a história de quatro adolescentes e um cachorro falante, que saem por aí em um trailer resolvendo mistérios. Seu carro é chamado de “Máquina de Mistérios” e eles são conhecidos como a “Gangue do Scooby” em alguns lugares.

Tecnicamente, o grande cérebro do grupo deveria ser Fred. O galã da história, loiro e de olhos claros, está sempre tomando a frente nas resoluções. É ele quem fala com a imprensa ao final dos episódios e a maior parte das grandes revelações é ele quem traz ao público. Mas, quando olhamos com cuidado, percebemos que o cara não faz nada sem a Velma.

É ela, a menina que usa óculos, tem cabelo curto, é desleixada, não tem uma vida amorosa explorada no decorrer da narrativa e é, em comparação com a Daphne, considerada feia, que salva todas as histórias.

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Velma – Scooby-Doo

Velma cumpre o típico estereótipo nerd. A inovação está no fato de ser uma nerd mulher e ser ela a responsável por impulsionar as investigações e encontrar as revelações dos mistérios. É claro que todos os personagens são importantes e que o desenho não seria o mesmo sem qualquer um deles, mas é a Velma quem faz todo o trabalho pesado da gangue.

E, de certa forma, isso é triste. Porque ela é pouquíssimo reconhecida. Não só dentro da narrativa, quanto fora dela, pelos fãs. Talvez isso mostre que ainda temos um longo caminho a trilhar no reconhecimento às mulheres. Não adianta abrir espaço para que possamos trilhar nossos próprios caminhos, se na hora de nos reconhecerem por nossas vitórias, elas serão delegadas a outra pessoa, geralmente homem, ou a um grupo, que as vezes nem ajudou. As mulheres precisam ser reconhecidas pelo que fazem, independente da área que atuam. O esquecimento não é fofinho. Nem com a Velma.


E aí, gostaram da nossa lista? Teriam mais personagens a acrescentar? As escolhas daqui estão completamente baseadas na minha experiência infantil e nas personagens femininas que carrego na bagagem até hoje. Acredito muito que tudo que a gente assiste, lê e ouve faz parte da composição do nosso caráter e é muito interessante pensar sobre essas obras depois que atingimos mais idade. Há muita coisa politicamente incorreta em muitos desenhos. Mas há vários deles que realmente nos ensinam a ser pessoas melhores, além de garantirem vários bons momentos de diversão.

Mayra Sousa Resende

Cursa mestrado em Informática e Antropologia, ambos na UFPR e pós-graduação, a nível de especialização, em Mídias Digitais, na Universidade Positivo. É graduada bacharela em Ciências Sociais pela UFPR, com foco em Antropologia e Arqueologia.

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