7 Bruxas em Seriados | Especial Halloween

Para comemorar o Halloween fizemos uma lista com 7 bruxas presentes em seriados! Mas, antes disso, demos um panorama histórico básico sobre o que a data representa. Acredite: é muito mais do que se fantasiar e ir a festas.

Halloween

31 de outubro é Halloween. A data comemorativa, proveniente dos EUA, surgiu como forma de relembrar o massacre ocorrido na cidade de Salem. Em todo o período da Idade Média, a Inquisição matou mulheres em diversas partes do mundo, sob a prerrogativa de estas serem bruxas. Estima-se que mais de 100 mil mulheres tenham sido mortas nesta época.

A cidade de Salem, localizada no estado de Massachussetts, realizou em outubro de 1692 o julgamento de cerca de 150 prisioneiros, que tinham sido acusados de bruxaria. O povoado era pequeno e fruto de colonização protestante da vertente purista. As suspeitas começaram a partir da escrava Tituba, que realizava cultos provenientes de sua religião africana.

31 de outubro é também o dia que antecede a data cristã que celebra todos os Santos. A palavra Halloween tem origem na junção das palavras que compõem a frase “véspera do dia de todas as almas” (All Hallows Eve). A crença popular afirma que a escolha da data tem relação com o fato de as almas das vítimas da Inquisição não estarem inseridas na comemoração de Todos os Santos. Essa significação para o Halloween, no entanto, deixou de fazer sentido quando o dia 02 de novembro foi fixado como dia de finados, ou seja, todos os mortos.

A Revista SuperInteressante divulgou este teste onde é possível ver se você seria condenada por bruxaria no século VII. Em minha singela opinião, creio que seja impossível alguém de nosso tempo responder negativamente a todas as questões. Desta forma, para os Inquisidores, todas nós deveríamos ir à fogueira.

Considerando que 85% das vítimas de morte por suspeita de bruxaria foram mulheres, no Brasil a data se popularizou como “Dia das Bruxas”. A bruxa enquanto personagem literário surgiu pela primeira vez na peça MacBeth, de Shakeaspere, que foi escrita durante a própria Inquisição. De lá para cá, ela já passou por diversas transformações no nosso imaginário, mas segue aparecendo nas obras ficcionais, sejam elas televisivas, teatrais ou cinematográficas.

Desde a época da Inquisição e do início do pensamento sobre magia, surgiram duas percepções por sobre o envolvimento com forças naturais, a da bruxaria e a da feitiçaria. Geralmente a bruxaria requeria rituais com elementos da natureza, enquanto a feitiçaria era realizada a partir de mal agouro, mal olhado, previsões ruins ou com o auxílio de pequenas varas de madeira – que hoje reconheceríamos como varinhas mágicas.

Como estas relações dependiam da sociedade e da cultura em questão, as interpretações em relação à existência de bruxaria ou feitiçaria eram bastante subjetivas. As duas formas levavam à fogueira, visto que eram negação à soberania divina do Deus cristão. Considerando que a manipulação de artefatos da natureza era considerada bruxaria e que grande parte das mulheres mortas em Salem eram escravas, é possível depreendermos que estas acusações eram parte de um preconceito incipiente para com o modo religioso de outras culturas, no caso, a africana. Infelizmente, convivemos com este tipo de preconceito até hoje, no caso do Brasil, com as religiões afro-brasileiras e a Umbanda.

Na ficção atual temos contato tanto com uma bruxaria mais materialista, em que poções e rituais corpóreos são realizados, quanto com uma bruxaria mais metafísica, onde feitiços e varinhas entram em ação. A lista a seguir trata das duas percepções de bruxaria e fala exclusivamente sobre séries televisivas.

  1. Bonnie – The Vampire Diaries (2009-atual)

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    Bonnie em uma cena ritualística.

Bonnie (Kat Graham) é bruxa por ancestralidade. Sua avó é descendente das bruxas de Salem e a inicia na arte da bruxaria. Ou seja, Bonnie possuia a bruxaria em seus genes e no seu sangue. Ainda assim, precisou passar por uma iniciação e aprendizado sobre a arte de realizar bruxarias, para que então pudesse se tornar uma bruxa de fato.

A bruxaria de Bonnie e sua família envolve bastante ritual, o que rende cenas muito interessantes nas primeiras temporadas da série em questão. Elementos da natureza, concatenados com as palavras e a posição correta no planeta faziam com que os feitiços funcionassem. A personagem teve uma função essencial para embasar o universo de The Vampire Diaries e tornou-se uma das grandes bruxas da televisão.

  1. Willow – Buffy the Vampire Slayer (1997-2003)

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Willow fazendo bruxaria

Willow (Alyson Hannigan) passa a maior parte da série sendo apenas a amiga nerd da Buffy. Inicialmente ela se interessa por Wicca, mas é apenas na quarta temporada da série que a questão da bruxaria começou a ter destaque e ser levada a sério. Em seu grupo de estudos, ela conhece Tara, que posteriormente se torna sua namorada. As duas juntas realizam feitiços incríveis e ajudam Buffy em diversos momentos complicados. São elas, inclusive, as responsáveis por trazer Buffy de volta à vida. O mais interessante é que estes poderes são adquiridos apenas com estudo, vontade própria e acesso aos meios corretos.

Na sexta temporada a personagem atinge um nível de poder muito grande e é levada para o lado negro da bruxaria, agindo de forma inconsequente e problemática. Ela é considerada como viciada em magia, por seus amigos, e precisa passar por uma verdadeira reabilitação para voltar a usar seus poderes de forma positiva. É fenomenal a dualidade da personagem, transparecida através de sua relação com seus poderes mágicos.

  1. Mary Sibley – Salem (2014-atual)

Salem é um seriado que mescla fontes históricas do massacre ocorrido na cidade com situações ficcionais. Tituba, a escrava que realmente foi morta na cidade, aparece na série como uma das personagens. É ela quem transforma Mary Sibley (Janet Montgomery), uma moça apaixonada, mas que precisa se casar com outro cara, em uma bruxa.

A bruxaria da série é completamente ritualística. Bastante ligada com a ancestralidade, mas também com atos corpóreos e manipulação da natureza. Mary Sibley precisa aprender a ser bruxa e a realizar os feitiços e as poções. Ela possui muito poder e acaba conseguindo dominar a maior parte das pessoas que a rodeiam.

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Mary Sibley em ritual sanguinário

À despeito disso, várias outras famílias da cidade possuem membros bruxos. Espera-se que as crianças que nascem de pais bruxos herdem seus poderes, de alguma forma. O ensinamento ritual ocorre dentro das famílias, a partir do momento que elas próprias consideram interessante.

Mary Sibley cumpre a função de coordenar todos os bruxos da cidade, visto que é casada com um nobre imponente, mas muito doente e que a deixou como representante pública. A união entre poder pessoal e poder político faz de Mary uma líder nata, o que a torna alvo frequente de atentados e inimizades. Mas ela, imponente, nunca foge das situações que aparecem. Por piores que elas sejam.

É importante destacar que a bruxaria, em Salem, está diretamente associada com uma concepção mágica cristã. Assim, os poderes mágicos advém de pactos com entidades demoníacas. Isso diferente significativamente da bruxaria não-cristã, onde os poderes mágicos não dependem de acordos macabros.

  1. Marie Laveau – American Horror Story (2011-atual)

American Horror Story conta uma história diferente a cada temporada. A terceira temporada da série, que passou em 2014 e foi composta por 13 episódios, discorreu sobre a existência de um clã de bruxas. As jovens bruxas, recém descobertas, eram introduzidas no meio e ensinadas a canalizar seus poderes por Fiona (Jessica Lange) e sua filha Cordelia (Sarah Paulson). No entanto, o que chama mais atenção na temporada é a antagonista, Marie Laveau (Angela Bassett).

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Marie Laveau em ritual voodo

Negra e usuária de artifícios religiosos do voodoo para a realização de seus feitiços e poções, Marie utilizava métodos que eram considerados demasiado agressivos para suas colegas bruxas norte-americanas. No entanto, Fiona acaba realizando um pacto com Marie e passa a concordar com práticas até então vistas como primitivas e horríveis.

A personagem tem uma relação estreita com Papa Legba, personagem mítico da religião voodoo. Seu núcleo protagoniza as melhores cenas da temporada e Marie torna-se uma daquelas vilãs que é impossível odiar.

Mais uma vez, a bruxaria neste caso é herdada por ancestralidade, mas aperfeiçoada através de estudos e tentativas constantes.

  1. Morgana – Castelo Rá Tim Bum (1994-1997)

Castelo Rá Tim Bum foi um seriado brasileiro produzido pela TV Cultura que contava sobre um jovem bruxo, que morava em um grande castelo com seus tios e tinha brinquedos e animais que falavam e realizavam outras funções imprevistas.

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Morgana contando histórias

A tia Morgana morava no topo do castelo e suas cenas não eram muito detalhadas, sendo delegadas aos momentos de histórias de terror. Em seu quarto, porém, víamos um grande caldeirão, ao qual ela estava sempre mexendo. Não sabemos exatamente qual tipo de bruxaria Nino e sua família possuíam, mas aparentemente era algo herdado geneticamente e sem pretensões malignas.

Curiosamente, Morgana era a única da família que se vestia de acordo com o estereótipo de bruxas, visto que o tio Victor estava sempre de terno e Nino aparentemente ainda não se identificava como um jovem bruxo. Apesar de estar como pano de fundo em toda a narrativa, a bruxaria nunca foi foco principal de Castelo Rá-Tim-Bum.

  1. Sabrina – Sabrina, a aprendiz de feiticeira (1996-2003)

Sabrina (Melissa Joan Hart) era uma jovem adolescente que possuía um gato preto falante chamado Salem. Seu seriado era mais voltado para uma comédia infanto-juvenil do que para um início de horror, como as 4 primeiras séries aqui citadas. Seguindo a linha bruxaria light, já vista em Castelo Rá-Tim-Bum, aqui lidávamos com uma jovem aprendiz a feiticeira.

Ser feiticeira fazia parte de sua família e suas tias a ensinavam a realizar bons feitiços. No universo da série era possível utilizar feitiçaria para praticamente todas as coisas. Assim sendo, Sabrina não mais trocava de roupas mecanicamente, mas sim através de um feitiço. Todas as atividades cotidianas podiam ser resolvidas com simples feitiços e as vezes era o que ela realizava.

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Sabrina e Salem

A coisa mais legal no seriado, sem dúvida, é Salem – o gato. No entanto, o nome dele e o fato de ser um gato preto nos faz, mais uma vez, refletir sobre a imensa importância do massacre de Salem para a construção do imaginário bruxo. Principalmente nos EUA.

A série é mais leve e o tipo de bruxaria não envolve grandes rituais corpóreos ou manuseio de componentes da natureza. Enquanto feiticeira, é como se o poder já estivesse encarnado em Sabrina e ela apenas precisasse aprender a utiliza-lo com sabedoria.

  1. Alex Russo – Os Feiticeiros de Waverly Place (2007-2012)

Os Feiticeiros de Waverly Place foi uma série infanto-juvenil produzida pelo Disney Channel. Com isso em mente, já é possível imaginar que também não se trata de pensar a bruxaria como algo ruim ou realizado em um ambiente de terror. Assim como nas séries 6 e 7 da lista, aqui trata-se de uma bruxaria mais leve.

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Alex Russo em Waverly Place

Alex Russo (Selena Gomez) é uma das três filhas de uma família de feiticeiros, que gere um restaurante. Ela vai à escola e tem amigos comuns, mas em casa é treinada junto com seus irmãos, por seu pai, para que use seus poderes da melhor forma possível. Como o objetivo da série é ser lúdica, Alex se envolve em diversas situações inusitadas onde há sempre o impasse entre usar ou não os seus poderes para sair dele. No universo da série, há uma questão ética por trás do uso dos poderes, a qual seu pai está sempre lembrando e ela está sempre tentando colocar em prática.

A bruxaria da série em questão é hereditária e demanda mais de características intrínsecas e uma magia já embutida nos personagens. Dessa forma, rituais corpóreos, pactos e manuseio de artefatos da natureza para produzir efeitos mágicos não são necessários.

REFERÊNCIAS

Uma história breve das perseguições por bruxaria antes de Salem.

Julgamentos de bruxaria em Salem.

História do Halloween.

Mayra Sousa Resende

Cursa mestrado em Informática e Antropologia, ambos na UFPR e pós-graduação, a nível de especialização, em Mídias Digitais, na Universidade Positivo. É graduada bacharela em Ciências Sociais pela UFPR, com foco em Antropologia e Arqueologia.

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