Star Trek: Boldly Go #1 (2016) | Resenha

Alerta: Contém spoilers sobre a HQ.

Quando o processo de reboot de Star Trek começou, a partir da produção de J. J. Abrams de 2009, uma das coisas que mais me chamou atenção foram as possibilidades de apresentação de povos e coletivos que já fossem familiares para os fãs, mas ao mesmo tempo não fossem para a nova Federação. É explorando esse campo que a HQ Star Trek Boldly Go, escrito por Mike Johnson, com arte de Tony Shasteen e cores de Davide Mastrolonardo, situa-se.

Publicada em outubro de 2016 pela IDW, Bodly Go se passa meses após os eventos de Star Trek Beyond. A narrativa se inicia na USS Endeavour, sob o comando do Capitão James T. Kirk. Sua primeira oficial é Valas, uma romulana que nasceu na Terra. E, claro, Dr. Bones como membro da ala médica. Situando esse novo contexto de Kirk, a história conta quais destinos os outros personagens principais de Enterprise tomaram após o filme.

Em New Vulcan, Spock explora as possibilidades de um futuro casamento com Nyota. Esta, por sua vez, encontra-se fascinada com a cultura vulcana. Já McCoy optou por seguir a carreira de professor da Frota Estelar. Sulu, agora primeiro oficial da USS Concord, sob o comando do capitão Terrell (figura já conhecida de Wrath of Khan), é o pivô narrativo.

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USS Endeavour

A USS Concord havia sido enviada para investigar uma região próxima do quadrante Delta. Ali, captou uma transmissão bastante estranha, e logo em seguida enviou um pedido de socorro. A USS Endeavour segue para atender ao chamado, e para a surpresa de Kirk, sua primeira oficial não se posiciona de forma contrária à atitude do capitão, que para tal quebrou alguns protocolos. Chegando lá, a Endeavour encontra a Concord em pedaços, mas consegue resgatar alguns de seus tripulantes, sendo Sulu um deles, que em estado de choque afirmou que a Concord foi atacada por algo que repetia a frase: “Resistir é inútil”.

Bodly Go, em seu primeiro volume, levanta uma série de questões sobre as trajetórias da tripulação da Enterprise. Cada vez mais a Kelvin Timeline consegue se desprender dos modelos estruturados por Roddenberry. E, ao mesmo tempo, integra elementos da Nova Geração com a inserção dos Borg na narrativa. O que resta agora é aguardar os próximos números para saber como a Coletividade será tratada, e quais as diferenças em comparação com a linha do tempo original.

A escrita de Mike Johnson consegue intercalar muito bem os diferentes caminhos narrativos de cada um dos personagens. O leitor não precisa ser um especialista naquele universo para conseguir acompanhar o que está acontecendo, o que facilita a compreensão da obra como um todo.

O trabalho combinado de Mastrolonardo e Shasteen é impressionante, pois consegue se destacar do tom cinematográfico que é excessivamente luminoso. Assim, cenas dentro de embarcações espaciais, como a Endeavour e a Concord, ganham uma coloração azulada, marcando a artificialidade daqueles espaços. Em contraste, as cenas em planetas, como New Vulcan e na Terra, são moldadas a partir de tons amarelos, garantido assim um ar “terrestre”. Já o espaço, como fundo, não é apenas um borrão negro com manchas brancas, mas conta com tons avermelhados que criam a sensação de um espaço vivo, com nebulosas e outras anomalias.

Capitão Kirk na USS Endeavour.
Capitão Kirk na USS Endeavour.

Meu estranhamento inicial, em ver Kirk no comando de uma embarcação que não fosse a Enterprise rapidamente se desfez. O trabalho de Johnson, Mastrolonardo e Shasteen é sólido e merece destaque. Cabe agora esperar as próximas edições para ver como a história irá se desenrolar.

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Willian Perpétuo Busch

Pesquisador de Ficção Científica. Mestre em Antropologia (UFPR). Bacharel e licenciado em Filosofia (UFPR), e atualmente cursa História, Memória e Imagem (UFPR).

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