Supergirl (2015) – Análise da primeira temporada

Supergirl é uma série da CW que teve a primeira temporada entre 2015-2016 e inicia a segunda temporada, a partir do dia 10 de outubro de 2016.

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Supergirl, no episódio 18.

Contexto

Kara-El, prima de Kal-El, mais conhecido entre nós como Superhomem, foi apresentada pela primeira vez nos quadrinhos em 1958, criação que surgiu a partir da colaboração entre Otto Binder e Curt Swan. Em 1984, aproveitado a onda de sucesso que os filmes do Superhomem vinham fazendo, protagonizados por Christopher Reeve, uma sequência foi dirigida por Jeannot Sczwarc. Como o próprio título da película indica (Supergirl), o filme era estrelado pela kriptoniana, interpretada por Helen Slater. O sucesso esperado não ocorreu. Na ficção serial televisiva, a personagem estreou na sétima temporada de Smallville, no episódio Bizarro, que foi ao ar em 26/09/2007. Neste, a prima de Clark é adotada pelos próprios Kents, e ensinada sobre os estranhos costumes terranos.

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Kara Danvers escolhendo sua roupa como super heroína, no episódio piloto da série Supergirl.

Uma nova interpretação da personagem surgiu em 2015, com o lançamento da série Supergirl pelo canal CW. A produção foi desenvolvida por Greg Berlatini, Ali Adler e Andrew Kreisberg e por enquanto teve vinte episódios, com sua primeira temporada sendo concluída em abril de 2016. A segunda temporada está com estreia prevista para 10 de outubro de 2016. É possível assistir a série no canal à cabo Warner, em downloads online e, desde de 29 de setembro a primeira temporada está inteiramente disponível na Netflix.

A série

Em Supergirl, somos apresentados a Kara Denvers (Melissa Benoist), já adulta e funcionária da Catco Comunicações, uma das maiores empresas de comunicação de sua cidade, National City. Kara foi enviada para Terra por seus pais, que ocupavam um posto alto em Kripton, Alura Zor-El (Laura Benanti) e Zor-El (Robert Gant).

Jor-El, irmão de Zor-El e pai de Kal-El, iria enviar seu filho recém-nascido para crescer na Terra. Seu irmão decidiu enviar a própria filha, Kara, junto com o primo, para servir de guia e cuidar dele no novo planeta. Isto era possível porque eles tinham uma diferença de idade de, pelo menos, 12 anos. Assim sendo, diferente de Kal-El, Kara tinha conhecimento do que estava deixando para trás, mas não tinha qualquer noção de para onde estava indo.

Assim que Kara-El entrou na nave rumo à Terra, seu planeta, Kripton, explodiu. Logo, ela viu e sentiu na pele a perda não apenas de sua família, mas de toda uma sociedade e cultura. Sua embarcação acabou sendo desviada da rota previamente traçada, ficando presa na Zona Fantasma. Tal região, já conhecida de outras épocas do universo do Superhomem, abrigava uma prisão espacial, para onde todos os criminosos kriptonianos eram enviados, chamada de Forte Rozz.

Quando a nave de Kara-El pode se desprender da Zona Fantasma e chegar até o planeta Terra, muita coisa já havia mudado. Seu primo, Kal-El, não era mais uma criança, mas sim um grande herói. A missão de Kara, que era servir como protetora e guia para Kal, havia se tornado obsoleta. Todavia, seu destino estava em aberto. Para ajudar sua prima, Superhomem deixou-a sob a guarda de uma família de pesquisadores que já tinham o ajudado. Assim, Kara-El se tornou Kara Danvers.

A família Danvers era composta por Eliza (Helen Slater), mãe adotiva de Kara, Jeremiah (Dean Cain), na figura do pai adotivo e Alex (Chyler Leigh), a irmã mais velha. Seus pais ajudaram Kara a aprender como usar seus poderes, bem como escondê-los do grande público. Kara considerava sensata tal decisão e nunca a contestou. Assim, seguiu a carreira de jornalista, deixando de lado o papel de heroína.

No episódio piloto, o chamado da aventura de Kara é um acidente aéreo que sua irmã sofre. Visando salvá-la, Kara usa de seus poderes, ainda de maneira bastante insegura. Experimentando um lado de sua vida que havia sido deixado de lado, Kara torna-se a Supergirl, visando proteger e ajudar os terráqueos.

Assumir a identidade de Supergirl faz com que a personagem descubra que sua irmã, Alex Danvers, não era apenas uma acadêmica e cientista, mas sim uma funcionária do Departamento de Operações Extra-Normais, divisão secreta do governo norte-americano responsável por defender a nação contra ameaças alienígenas. Além disto, Kara descobre que, quando sua nave espacial conseguiu escapar da Zona Fantasma, o Forte Rozz veio junto. Com isso, centenas de alienígenas criminosos foram libertados na Terra.

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Mensagem de texto enviada por Clark a Kara, no episódio 9 de Supergirl, demarcando a forma de aparição do personagem nesta temporada.

O Superhomem aparece em momentos bastante específicos, mas seu rosto não é mostrado. Ele não ocupa a posição de mentor para Kara e não tem envolvimento no desenvolvimento da heroína. Além disso, diálogos da série enfatizavam que o Homem de Aço não tem qualquer interesse em trabalhar como aliado para o governo norte-americano. Uma diferença bastante significativa, dado que Supergirl passa a fazer parte do DEO.

De Kara a Supergirl

Ser Supergirl não era apenas vestir o traje icônico e utilizar seus poderes. Kara precisou se redescobrir e se reinventar e teve pouquíssimo tempo para tal. Empolgada e cativante, contou com a ajuda para seu melhor amigo Winn (Jeremy Jordan), tanto com a decisão das roupas, quanto para achar novos casos em que ela pudesse trabalhar. Winn tornou-se seu fiel escudeiro de Kara e a principal fonte de apoio moral para a personagem.

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Kara e Winn, no episódio 7 de Supergirl.

Para assumir a identidade como Supergirl, Kara contou com o apoio de Alex. Inicialmente, sua irmã não aprovou a decisão, reprovando-a enfaticamente. Mas, com o desenvolver da narrativa, Alex entendeu a necessidade de sua irmã construir seu próprio destino. A entrada de Supergirl no DEO foi mediada por Hank Henshaw (David Harewood), que serve de mentor da personagem e um dos principais pontos positivos de toda a história.

Outro nome de grande importância para Supergirl é o de James Olsen (Mehcad Brooks). O personagem já é conhecido dos fãs de Superhomem, por ser o fotógrafo do Daily Planet (Planeta Diário) e melhor amigo de Clark Kent. Em Supergirl, ele aparece também como funcionário da Catco Comunicações, mas em um emprego de menor relevância do que o que ocupava previamente. A escolha por se mudar de cidade e de cargo é inicialmente suspeita, mas depois fica claro que ele está em National City a pedido de Clark Kent, para que cuidasse de Kara e a auxiliasse na empreitada de se tornar uma super-heroína.

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Kara e James Olsen, no episódio 2 de Supergirl.

Assim sendo, junto com Winn, Alex, Hank Henshaw e Eliza, James é um dos poucos que sabe a real identidade de Supergirl e a auxilia em suas batalhas e planejamentos. Assim como Winn, ele também a auxilia no trabalho como assessora de Cat Grant (Calista Flokhart), que é um problema à parte.

Conflito familiar

No decorrer da temporada, descobre-se que seu maior conflito é familiar. A tia de Kara, irmã gêmea de sua mãe, Astra (Laura Benanti) havia sido enviada para Forte Rozz pela própria irmã, Alura, por querer colocar em curso, junto com seu marido Non (Chris Vance) um projeto chamado Myriad, que supostamente salvaria Kripton da explosão fatal, mas mataria muitas pessoas no meio do caminho.

Por desobedecer a ordens hierárquicas e favorecer a guerra civil, Alura se viu obrigada a colocar sua irmã e cunhado no exílio. Kara não soube disso, até o momento de encontrar sua tia na Terra e saber mais sobre a história.

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Astra, tia de Kara, no episódio 8 de Supergirl.

Quando Astra e Non se deparam com a Terra, também em clima de grande consumo e possibilidade de explodir, decidiram colocar em prática o projeto que não conseguiram em Kripton, para salvar ao menos um planeta. Para tal, Astra tenta aliciar Kara e convencê-la de que aquilo é o melhor a ser feito, pedindo sua ajuda para colocar o plano em prática.

Kara recusa, Astra e Non tornam-se extremamente violentos e o conflito é dado. O casal comanda um grande exército de ex condenados de Forte Rozz e utilizam-se de meios ilegais para conseguir atingir seu objetivo.

No meio de tudo isso, temos vários flashbacks de Kara para sua época em Kripton e um imenso conflito psicológico é instaurado na personagem, que ainda ama sua tia e se sente mal em ter que lutar contra sua única família. Visto que ela não entende o que é o Myriad e não recebe explicações quanto a isto.

O girl power

Supergirl é sobre Kara Danvers, mas não apenas sobre ela. A série respira e emana empoderamento feminino desde seu episódio piloto até a conclusão da primeira temporada. Apesar de haver personagens masculinos importantes e com papéis fortes, são as mulheres que fazem a história.

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Cat Grant, no episódio 4 de Supergirl.

Comecemos com Cat Grant (Calista Flokhart), imperadora de uma empresa poderosíssima, que construiu sozinha, após muito batalhar. Ela tem seus próprios problemas familiares (muitos) e no começo parece ser apenas mais uma chefe esnobe. No entanto, ela se torna amiga tanto de Kara quanto de Supergirl e cumpre funções essenciais no desenvolvimento do duplo papel de Kara, ajudando-a tanto nos conflitos de humanidade, quanto nos de heroísmo. Nada escapa a Cat Grant e sua exigência e perspicácia fazem com que a comunicação siga poderosa e na mira certa. Ela é destemida , sensata, prática, mas coesa e tem um coração enorme. É incrível que a série tenha aberto tanto espaço para explorar o background e o psicológico de Cat Grant e mostrar que é possível ser super-heroína na Terra, mesmo sem ter poderes especiais.

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Alex Danvers, no episódio 14 de Supergirl.

Outro caso exemplar disso é, claro, o de Alex Danvers. Irmã mais velha de uma kriptoniana superpoderosa, ela cresceu sendo pressionada a cuidar de Kara e impedir que ela fosse descoberta enquanto alienígena. No entanto, acabou se envolvendo profissionalmente com o departamento que investiga a vida alienígena no exército dos EUA. Aparentemente frágil, ela domina técnicas de luta corporal com excelência. Entende muito de táticas de guerra, é forte e corajosa e sem medo de arriscar a própria vida para proteger quem ama. Muito da moral e dos conflitos que vemos em Kara, são compartilhados por Alex. As duas demonstram várias vezes ao longo da temporada estarem tão conectadas que seriam capazes de sacrificar uma pela outra.

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Lucy Lane, no episódio 6 de Supergirl.

Lucy Lane (Jenna Dewan Tatum) também merece destaque. Irmã mais nova de Lois Lane, jornalista conhecida por trabalhar no Daily Planet (Planeta Diário) e ter um relacionamento formidável com Superhomem, ela aparece inicialmente como a ex-namorada que veio reconquistar James Olsen, mas logo se mostra mais do que isso. Lucy trabalha no exército, junto com seu pai, em uma divisão paralela ao DEO, mas que também se preocupa com a existência de alienígenas na Terra, vendo-os como ameaça. Ela é forte, corajosa e resiliente e se demonstra bastante destemida. Vemos um grande desenvolvimento da personagem na temporada, que começa cumprindo todas as ordens do seu pai e termina conseguindo se impor e crescer profissionalmente e também na vida afetiva particular.

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Kara Danvers, no episódio 6 de Supergirl.

Não podemos deixar de ressaltar o processo de desconstrução do pensamento comum de National City e de um país acostumado com um herói másculo como Superhomem, gerado pela existência de Supergirl. Logo no começo, vemos Kara lutando para ser respeitada enquanto mulher e heroína. Quando percebem que ela é tão forte e poderosa quanto o Superhomem, finalmente a tratam como a heroína que ela merece. No entanto, este reconhecimento leva toda a temporada, após Supergirl ter passado por diversas situações de risco e superação.

Quando ela assume a persona de Kara Danvers, é bastante atrapalhada, frágil, inocente e desconexa. Talvez porque ela seja alienígena, super-heroína e precise esconder isso de todos, o que faz com que ela esteja o tempo inteiro nervosa e tensa. É perceptível isso nas feições e expressões corporais de Kara. Quando ela é Supergirl, se transforma completamente, porque pode se libertar dessas amarras sociais e ser quem ela quiser. Desta forma, enquanto Supergirl ela é mais leve, robusta e determinada.

Kara sendo Supergirl, no episódio 3 da série homônima.
Kara sendo Supergirl, no episódio 3 da série homônima.

Destaques da Temporada

O décimo sexto episódio da primeira temporada, Falling, trouxe uma perspectiva importante: Supergirl indo para o lado negro. Isso ocorreu por conta do contato dela com kriptonita vermelha, uma modificação do minério kriptoniano feita pelo empresário Maxwell Lord (Peter Facinelli), com a intenção de servir como arma contra os kriptonianos. O que Lord não previu é que esse material iria ter consequências drásticas e dar vasão ao pior da natureza kriptoniana. Em decorrência disto, Falling, gira em torno de Kara atendendo a sua natureza instintiva e utilizando seus poderes para fins egoístas.

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Supergirl sob efeito da kriptonita vermelha, no episódio 16.

O episódio dezoito, World’s Finest, é o melhor de toda a temporada. Apresentando um crossover entre duas séries da CW: Supergirl e Flash. Desta forma, Flash (Grant Gustin) aparece em National City e “salva” Kara de uma quase morte. Ela, bastante ultrajada, explica que não precisava ser salva e questiona quem é o personagem, bem como sua origem. Os dois se tornam amigos, e Flash explica que por conta de sua super-velocidade, é capaz de visitar mundos paralelos. Por conta disto ele chegou ao mundo de Kara. O episódio possui uma dupla narrativa, na medida em que enquanto Kara, Winn e James tentam descobrir como fazer Barry Allen (nome verdadeiro do Flash) retornar para seu universo de origem, Supergirl e Flash precisam, juntos, vencer duas vilãs meta-humanas formidáveis. É um episódio literalmente eletrizante.

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Supergirl e Flash, no episódio 18 da série.

Semelhanças com Buffy: The Vampire Slayer (1997-2003)

A ficção científica e a fantasia costumam ter elementos que se repetem entre narrativas, mesmo quando elas são completamente diferentes. É possível observar uma relação temática entre Supergirl e Buffy: A Caça-Vampiros (1997-2003), também produzida pela CW, em pelo menos dois momentos.

O primeiro deles é no episódio 12 de Supergirl, “Bizarro”. Nele, a Supergirl precisa lutar contra uma quase clone, construído pela indústria de Maxwell Lord com a intenção de destruir a Supergirl. Esta cópia, chamada de “Bizarro”, tinha os mesmos poderes que Kara, mas em ação contrária. Para que ela existisse, foram realizados diversos testes com várias meninas que estavam prestes a morrer, em um processo bastante cruel.

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“Bizarro”, o quase clone de Supergirl, no episódio 12.

Em Buffy há dois momentos em que temática semelhante ocorre, o primeiro é no episódio dezoito da quinta temporada, “Intervention”, onde Spike manda que Warren construa um brinquedo sexual para ele: uma BuffyBot. A Buffy robô aparece na série em diversas situações, tendo os mesmos poderes da Buffy “original”. Logo, temos a temática clone/robô como semelhança.

A construção a partir da modificação genética, que é o que Lord realiza com as meninas em Supergirl, também aparece em Buffy, a partir do 13º episódio da quarta temporada, “The I in Team”, quando o personagem Adam é introduzido ao público. É possível, no entanto, denotar que ambas as personificações de “monstros geneticamente modificados” tiveram sua origem com a obra Frankenstein ou o Prometeu Moderno (1818), de Mary Shelley.

Outro episódio de Supergirl que é possível de se conectar com uma temática abordada em Buffy, é o décimo terceiro, chamado “For the girl who has everything”. Neste episódio, um parasita atinge Kara e a deixa em coma. Mas esta é a visão de quem está de fora, pois na verdade o parasita infiltra o cérebro de Kara e a leva para sua concepção de vida perfeita. Desta forma, Kara volta para Kripton, seus pais estão vivos, Kal-El mora lá, sua tia também e o planeta não vai mais morrer.

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Kara sob efeito do parasita em “For the girl who has everything”.

Esta realidade existe apenas na cabeça de Kara, mas é real o suficiente para que ela esqueça que é um sonho. A única forma de libertá-la, porém, é fazer com que Kara perceba que aquilo não é real e queira voltar para a Terra. Para que isto seja realizado, Alex Danvers precisou que Astra desse a dica e que Maxwell Lord a auxiliasse a entrar na mesma realidade vivenciada por Kara e tentar fazê-la lembrar sobre a Terra e os problemas que ela precisava ajudar o planeta a enfrentar.

Em Buffy algo semelhante ocorre, no episódio dezessete da sexta temporada, “Normal Again”. Nele, Buffy é atacada por um demônio que tem o poder de criar uma realidade paralela em sua mente. Ao contrário de Kara, porém, sua realidade não é uma versão de paraíso. Buffy acredita estar em uma instituição psiquiátrica e que o fato de ela ser uma caçadora de vampiros e todas as aventuras que passou nos últimos seis anos cumprindo a função foram apenas invenções de sua cabeça. O episódio é tão intenso, a atuação de Sarah Michelle Gellar é tão impressionante e o conflito psicológico vivenciado pela personagem é tão grande, que o próprio expectador se coloca em dúvida: e se tudo tiver sido realmente um sonho?

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Buffy em delírio causado por demônio no episódio “Normal Again”.

Assim como em Supergirl, para que Buffy acorde e volte ao normal é necessário um antídoto. Como se trata de uma série de fantasia, e não de ficção científica, a cura vem através da magia ao invés da ciência.

Considerações finais

Supergirl chama muito a atenção por ser inovadora, abordar temáticas bastante atuais e ter um elenco de grande qualidade. A produção da série é muito boa, com fotografia, figurino e maquiagem formidáveis. A trilha sonora, que tem Blake Neely como responsável, é bastante atual e condizente com as cenas transmitidas.

Considerando a capacidade criativa e produtiva da CW no que diz respeito a séries de super-heróis, é possível criar muita expectativa para as próximas temporadas da série. Há muito a saber sobre Kara-El e os kriptonianos e o episódio final da temporada deixa em aberto e parece trazer outros elementos para a série.

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Supergirl e Marciano voando, no episódio 10.

A presença do Marciano dá um gostinho especial, visto que é a primeira vez que o personagem aparece em uma produção serial televisiva. É interessante ver as cenas conjuntas dele com a Supergirl e o desenvolvimento psicológico e social do personagem no decorrer da narrativa. Inclusive, é do núcleo dele que surge uma das grandes expectativas para a segunda temporada: o que de fato aconteceu com Jeremiah Danvers?

O investimento no crossover com The Flash valeu muito a pena e agregou não apenas fãs, mas substância para o entendimento do universo DC Comics, o que é bastante relevante. Seria bem interessante ver mais coisas como essa ocorrendo na próxima temporada, assim como aparições mais específicas do próprio Superhomem. É claro que, em hipótese alguma, desejamos que isso roube o protagonismo da própria Kara.

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Supergirl e Flash, no episódio 18.

O quesito romântico da série chamou atenção negativamente. É bastante compreensível a paixonite desencadeada por Winn em relação à Kara e é madura a forma como eles lidam com isso. Já o relacionamento entre Kara e James Olsen é fraco e chato. Desde o primeiro episódio fica claro que ela se interessa por ele romanticamente, mas ele não percebe e fica um clima muito chato entre os dois. As cenas não foram tão bem trabalhadas quando poderiam, o roteiro não forneceu substância ao relacionamento e tudo parecia muito superficial e forçado demais para que fosse algo que não era. Se pudéssemos retirar uma coisa dessa primeira temporada, seria este relacionamento. Já a tentativa de se relacionar com Adam (Blake Jenner) merecia ter sido mais estendida e explorada, visto que era a única oportunidade de Kara se relacionar com alguém que não a visse como super-heroína e pudesse captar, com outra perspectiva, sua humanidade.

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Alex Danvers, Hank Henshaw e Supergirl, no episódio 20.

Por fim, acreditamos que a série trabalha muito bem as múltiplas personas de Kara, introduziu com densidade vários outros personagens, manteve os episódios empolgantes, interessantes e com conteúdo agradável e superou as expectativas.

Texto escrito por Mayra Sousa Resende e Willian Perpétuo Busch

 

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