3% (2016) – Análise da Primeira Temporada

3% questiona conceitos como Mérito, Justiça e Família, trazendo reflexões aplicáveis à nossa atualidade. Contém Spoilers.

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Pôster de 3%. Da esquerda para a direita: Fernando, Marco, Joana, Rafael, Michele e Ezequiel.

A SÉRIE

3% é a primeira série brasileira lançada pela Netflix. Curiosamente, também é a primeira série nacional que se encaixa no gênero de Ficção Científica. Lançada em novembro de 2016, contendo oito episódios na primeira temporada, a narrativa explora um mundo distópico onde apenas 3% da população tem direito a uma vida melhor. Para que os 3% sejam escolhidos, é necessário passar por um Processo.

Ao completar 20 anos, a população tem a oportunidade de se inscrever e comparecer a um grande galpão, onde um grupo de funcionários especialmente escolhido coordena o Processo que seleciona novos moradores para o mundo justo e igualitário criado pelo Casal Fundador: o Maralto. Visto que todos os que passam pelo Processo são imediatamente encaminhados para o novo local, os jovens e quem não passou na seleção não fazem ideia de como o Maralto, também chamado de “Lado de Lá”, realmente é. Criam-se diversos mitos por sobre o que este lugar pode vir a ser e as crianças do “Lado de Cá” já crescem sonhando em conseguirem uma vida melhor através do processo.

O Processo, por sua vez, é comandado por Ezequiel (João Miguel), que é assistido por Cássia (Luciana Paes). No entanto, logo no primeiro episódio, ele é surpreendido com a presença de Aline (Viviane Porto), enviada por um Conselheiro para supervisionar o trabalho de Ezequiel como aplicador do Processo.

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Ezequiel e seu bordão.

A princípio, o Processo parece justo. As provas aplicadas exploram os sentimentos, o caráter lógico e a capacidade de escolha dos candidatos. O mote é o merecimento, através da ideia de que só os merecedores chegam até o final do Processo e que este mérito é construído pelos candidatos, no decorrer das provas. A avaliação é realizada de forma individual, não havendo influência no caso de o candidato ser parente de algum dos avaliadores. Da mesma forma, não há distinções de gênero ou cor de pele entre os participantes. A premissa é de que todas as pessoas com 20 anos podem participar do Processo e todas têm as mesmas chances de conseguir passar por ele, basta que criem e cultivem o próprio mérito.

Esta ideia é até interessante em um seriado distópico, tendo em vista que muitas pessoas consideram que a nossa realidade como um grande Processo onde todos os indivíduos têm as mesmas chances de vencer. A diferença é que, ao contrário do Processo regido pelo Maralto, a nossa vida comum não tem as mesmas prerrogativas de justiça. Fatores como cor de pele, classe social, deficiências físicas ou mentais e afins influenciam consideravelmente naquilo que o indivíduo vai ou não alcançar e a meritocracia, inicialmente tomada como justa, acaba por ressaltar as injustiças já existentes.

Na sociedade distópica de 3%, porém, a meritocracia funciona melhor e os candidatos realmente têm as mesmas chances de passar pelas provas. Isto é especialmente evidenciado pelo personagem Fernando (Michel Gomes), que é cadeirante e ainda assim tem um bom aproveitamento na seleção. Outro contraponto que confirma a eficácia da meritocracia na série é o fato de a personagem Joana (Vaneza Oliveira), órfã, negra, pobre e sem residência fixa, ter se saído melhor do que Marco (Rafael Lozano), branco, rico e com familiares já residentes no Maralto.

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Candidatos ao Processo. Da esquerda para direita: Fernando, Michele, Rafael, Marco e Joana.

No decorrer da série, porém, percebe-se que até o Processo, aparentemente incorruptível, ocorre de acordo com os anseios e decisões de Ezequiel que, por ser humano, nem sempre é justo. É para colher provas destas injustiças e fazer com que ele saia do cargo que Aline o está investigando. Infelizmente, ele é mais esperto do que ela e acaba se safando.

Não é que Ezequiel seja malvado e isso é um ganho para a narrativa: não é possível criar antipatia por nenhum personagem. Exceto Marco. Ezequiel é humanizado e a série mostra vários de seus conflitos pessoais, principalmente relacionados ao seu relacionamento com a esposa. Além disto, ele liberta Michele (Bianca Comparato) apesar de saber que ela estava trabalhando para a Causa e permite que ela vá para o Maralto. Por ter se identificado com a garota, entendido ela como vítima de uma ilusão e por ter ficado grato por ela ter lhe contado como encontrar um dos chefes da organização contrária.

No entanto, o mesmo Ezequiel consegue prender Aline e coloca Joana em uma situação bastante complicada, fazendo com que ela se resigne do Processo, por ser mais justa e honesta do que aquele que deveria ser o ambiente mais justo e honesto do mundo.

Este caráter humanizador dos personagens, sempre ressaltando seus conflitos psicológicos, traz complexidade à narrativa e aumenta a empatia e possibilidade de identificação por parte do público, o que é bastante positivo.

QUESTÕES DEIXADAS PELA TEMPORADA

3% ainda tem muito a se desenvolver. Entre os principais problemas da narrativa, considerei o fato de o universo de ambientação da história não ter sido bem explorado. Não é possível saber se o Processo se aplica a todas as pessoas do mundo, ou se é apenas em um país ou cidade. Não dá para saber se o mundo da série é o mesmo que o nosso, no quesito divisão geográfica/espacial.

É compreensível que o Maralto não tenha sido explorado, mas o Lado de Cá também não foi. Não sabemos como as pessoas que não passam no Processo vivem, se elas têm alguma forma de organização política, se há empregos, sistema monetário, possibilidade de educação ou saúde. A única coisa que sabemos é que falta recursos naturais, como água, e que moedas valem muito. Também é deixado claro que a participação no Processo não é obrigatória e que os jovens têm a chance de decidir nem tentar. No entanto, devido à pressão e coerção social, a maior parte deles tenta.

Para além do universo, faltou uma explicitação maior sobre a origem do Processo. Sabemos que ele foi obra do Casal Fundador, que estava cansado das injustiças do mundo e resolveu fazer alguma coisa. Não sabemos, porém, se isto é apenas um mito de criação ou se este casal de fato existiu. Acredito que este tipo de questionamento possa ser solucionado em uma próxima temporada.

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Imagem representativa do Casal Fundador.

Outro ponto problemático é de caráter matemático: o Processo supõe que 3% de todos os candidatos são aprovados. No entanto, não há uma contagem específica para verificar se a quantidade de indivíduos que chegaram até o final corresponde ou não a 3%. Isto evidencia ainda mais o caráter de “parcialmente justo” do Processo, visto que não há garantias de que, de fato, 3% dos jovens serão aceitos. Aparentemente, tudo ocorre em questão de estimativa.

A grande antagonista da temporada é a Causa. A organização ilegal de indivíduos do Lado de Cá visa destruir o Processo, por considera-lo injusto. Para isto, eles realizam uma série de missões e estão sempre aliciando novos membros. Logo no início do Processo, há o boato de que infiltrados da Causa vão tentar chegar ao Maralto naquele ano. Isto faz com que Ezequiel e sua equipe passem a procurar os prováveis infiltrados em todas as provas.

Apesar de o público ter conhecimento de quem são os infiltrados e torcer para que eles não sejam descobertos e consigam passar pelo Processo, não é especificada a intenção da Causa ao coloca-los na Seleção. Não sabemos se há alguma forma estabelecida de comunicação ou uma missão já arquitetada para o caso de algum deles conseguir chegar ao Maralto. Esta é mais uma das coisas a serem solucionadas em uma temporada futura.

A meu ver, o grande furo narrativo da temporada é o fato de que a equipe de Ezequiel não descobriu que Rafael (Rodolfo Valente) possuía um registro falso, apesar de ele já ter participado no Processo do ano anterior, com outro nome. Para mim é muito estranho que uma sociedade altamente organizada e tecnológica, onde os cidadãos são registrados através de um microchip implantado atrás de suas orelhas, não possua uma identificação por digital ou mesmo por fotografia. Em se tratando de um Processo deste nível de complexidade, me é ainda mais estranho que não façam uma verificação da identidade de todos os candidatos, logo na primeira etapa da seleção.

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Joana, em cena de 3%

O que deixa a coisa ainda mais esquisita é um contraponto com a personagem Joana, também portadora de um registro falso. Como pudemos ver, o registro dela foi percebido e gerou provas especiais e um processo de aceitação e perdão por parte de Ezequiel, para que ela pudesse continuar no Processo. Para tal, Joana passou por situações bastante tensas, onde teve que demonstrar vontade real de passar para o Lado de Lá. Fica a questão: como e por que descobriram o dela e o do Rafael não?

Também para a próxima temporada ficam questões em torno do caráter de Ezequiel. Tendo sido responsável pela libertação de Michele e a desistência de Joana, em duas situações bastante opostas e, ambas, condenáveis seguindo a ética dos moradores do Lado de Lá.

A FAMÍLIA

Outro ponto discutido na temporada é a ideia de Família. Enquanto as pessoas do Lado de Cá podem se unir e ter filhos, as do Lado de Lá passam por um ritual de Purificação após serem aceitas no Processo, o que as torna estéreis. A ideia é que genética não é merecimento e que se as pessoas merecerem, passarão no Processo.

Parece ser comum que as pessoas tenham filhos antes dos 20 anos, enquanto ainda estão do Lado de Cá. Isto garante que elas tenham filhos que possam tentar o Processo quando chegar a hora, conforme ocorrido com Marco. No entanto, a ideia de Família que temos atualmente é quebrada, visto que as crianças raramente são criadas pelos próprios pais. Muitas delas ficam com outros familiares, vizinhos ou cuidadores. Mas há algumas que ficam solitárias e precisam aprender a se virar sozinhas.

A família como conhecemos é estabelecida quando ambos os pais não passam no Processo e, com isso, retornam para a casa e os filhos que haviam deixado.

Não é deixado claro se mulheres grávidas podem ou não participar do Processo. Acredito que não possam, devido ao ritual de Purificação que os 3% passam no final. No entanto, pode ser que as grávidas possam participar, mas tenham que abrir mão do filho caso cheguem à última etapa. De qualquer forma, foi uma questão ainda não explorada pela série.

 A JUSTIÇA

Para além da questão do Mérito, já explicitada, outro ponto relevante para a filosofia da história é a noção de Justiça. Para os realizadores do Processo e os que acreditam nele, Justiça é aquilo que se atinge quando se passa a morar do Lado de Lá. Ou seja, é um conceito amplamente conectado com o de Igualdade social e respeito e a ideia de que do Lado de Lá as pessoas são livres e tem condições de ser e agir conforme as próprias vontades.

Para os que pertencem à Causa e questionam o Processo, Justiça é algo que englobe toda a população, e não apenas 3% dela. Eles consideram a ideia do Processo e do Maralto injusta per si, visto que exclui anualmente 97% dos candidatos e não tenta mudar ou melhorar a vida dos que ficam do Lado de Cá. Sob a prerrogativa de levar as pessoas para um mundo mais Justo, a Causa ressalta que o Processo torna o mundo ainda mais injusto.

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Prova do túnel. A menos injusta e a mais cruel.

A perenidade do conceito de Justiça se faz presente dentro do próprio Processo, como vimos no decorrer das provas. Roubar um cubo, uma moeda ou comida, mesmo sob condições pérfidas e incidindo em machucar ou onerar alguém, é considerado permitido e legal pelo Processo, pois demonstra a “vontade de ter uma vida melhor”. Os conflitos, mesmo que injustos, não são evitados ou impedidos pelos criadores do Processo, pois consideram que é nestas situações que se pode ver a realidade sobre os indivíduos e o nível de seu merecimento. Em alguns casos tal pensamento beira o absurdo.

UMA DISTOPIA ENTRE OUTRAS

Em se tratando de uma história de distopia, protagonizada por jovens, é bastante difícil não mencionarmos possíveis semelhanças a outras histórias deste tipo, já conhecidas.

O Processo muito se assemelha com a ideia dos Jogos Vorazes, onde um grupo de pessoas é colocada em situações absurdas, acaba tendo que se matar e apenas um é campeão. A diferença básica está na premissa. Enquanto os Jogos Vorazes sevem para entreter e levantar a honra dos distritos, que já estão sob um regime de governo ditatorial e injusto, o Processo tem a intenção de melhorar a vida de uma parcela da população, que por hora se encontra na miséria e injustiça social.

Apesar desta diferença, a presença de uma luta crescente contra o sistema hegemônico e o forte protagonismo feminino, que em Jogos Vorazes é personificado por Katniss (Jennifer Lawrance) e em 3% por Michele, aproximam as duas narrativas.

Outra possível aproximação é com a saga Divergente. Nesta o mundo é dividido de acordo com as potencialidades das pessoas, mas há algumas que não se encaixam nas divisões pré-estabelecidas, e são consideradas divergentes. Para descobrir quais são estes seres uma série de testes, que beiram à tortura, são realizados.

Algumas das provas realizadas pelo Processo eram semelhantes às situações absurdas colocadas tanto em Jogos Vorazes como em Divergente. A forma como o Processo procura por membros infiltrados da Causa e a forma como combate a Causa, também se parece com a forma opressora demonstrada nestas outras obras.

Não estou querendo postular que falta originalidade em 3%. O simples fato de ser ficção científica brasileira já é originalidade. Não ser uma adaptação literária é um outro grande fator de originalidade, ainda mais em se tratando dos tempos atuais. Acredito que estas semelhanças sejam puramente inevitáveis, visto que todas as obras pertencem ao mesmo gênero.

Quando pensamos em distopias mais antigas, como 1984, de George Orwell e Admirável Mundo Novode Aldous Huxley, vemos que muitas das premissas ali inauguradas são utilizadas até hoje nas histórias de distopia. E não há problema nisso, visto que são estas aproximações que compõem e identificam o gênero, unindo todas as obras, de alguma forma.

Acredito que a escolha por uma distopia que se assemelhasse um pouco no quesito formação de personagens e premissas básicas, além de composição de cenas, com duas grandes séries de distopia da atualidade tenha sido uma escolha bastante estratégica para os produtores. Com esta escolha foi possível agregar tanto os fãs de Jogos Vorazes quanto de Divergente ou de qualquer outra distopia, em torno de uma obra nacional e produzida com boa qualidade.

Não acho que, como vi em algumas críticas, isto enfraqueça a série ou a potência cinematográfica nacional. Temos muito a crescer, tanto em narrativa quanto em cinematografia, mas diminuir a qualidade e a relevância de uma série como 3% baseado em um complexo de vira-lata não me parece adequado.

Nós não somos os EUA ou a Inglaterra, mas finalmente temos uma série original de ficção científica. E ela é, pelo menos, interessante e envolvente. Não é uma vitória, mas um importantíssimo primeiro passo.

APROXIMAÇÕES COM A CONJUNTURA ATUAL DO BRASIL

Para sorte dos produtores de 3%, 2016 está sendo, por si só, um ano distópico. Temos visto a classe política usurpar dos direitos cidadãos à torto e à direito, sob a suposta prerrogativa de estarem fazendo bem ao povo. Assim como os criadores do Processo, vivemos em um mundo onde muitos acreditam que apenas 3% (número aproximativo) da população têm direito a ter uma vida digna e justa. Acreditam que já adquirimos igualdade social o suficiente para que possamos competir igualmente por vagas em escolas e empresas e que todas as pessoas precisam exatamente da mesma quantidade e forma de apoio estatal.

Enquanto o seriado tenta separar o mundo entre o Lado de Cá e o Lado de Lá, a vida real tenta cada vez mais nos fazer esquecer que somos separados e que precisamos superar isso antes de podermos ser tratados como iguais. Aqui, fora da série, nos colocam no mesmo saco. Sem separação, sem Processo. A meritocracia não se dá de forma igualitária e sob premissas justas, mas parte da injustiça e de privilégios já adquiridos. Ao invés de ajudar, ela estraga.

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Marco, em cena de 3%.

Em um dos episódios de 3% vimos uma grande quantidade de candidatos ser enganada por Marco e sair assaltando, batendo e assassinando outros candidatos, em uma prova de confinamento. Eles começaram concordando com Marco e depois perderam o controle da situação. Alguns acabaram sendo perseguidos e mortos pelo próprio grupo ao qual estava aliado. No final do episódio, vimos os oprimidos conseguirem se vingar dos opressores. O resultado foi lamentável, para ambos os lados.

Neste ano passamos por diversas situações políticas semelhantes a esta. Pessoas privilegiadas que, sob prerrogativas positivas e boas intenções, assim como Rafael, se uniram com pessoas nem tão boas assim (Marco) e acabaram em situações agora incontroláveis. Todo dia nós vemos caos acontecer e pessoas se arrependerem por terem se aliado ao lado A ou B, mas ainda desejando que tudo se resolva de alguma forma. O contentamento veio pelo cansaço e pela frustração.

Em outros casos, vimos pessoas não privilegiadas, mas que acreditaram que conseguiriam (Joana). Que passaram a vida inteira achando que poderiam alcançar mais e chegar a lugares melhores e, por isso, aceitaram apoios e apoiaram pessoas dúbias (Ezequiel). Posteriormente elas foram traídas e tiveram seus sonhos pisoteados, visto que as pessoas que já têm o poder pouco se importam com os que não têm, com os que ainda estão “do lado de cá”. Algumas destas pessoas acabaram se revoltando contra aqueles que antes consideravam ajudantes, exatamente como a Joana. Outras, sequer tiveram forças para tal.

Muitos de nós fomos a Michele. Ouvimos discursos fleumáticos de pessoas que estavam convictas sobre pensamentos X ou Y e acabamos acreditando nestes pensamentos e fazendo coisas que antes teríamos considerado condenáveis. Muitos ainda não perceberam isso e seguem nestas realizações, outros já tiveram uma experiência tão traumática e esclarecedora quanto a da Michele e puderam perceber que foram enganados e que, independente do lado ou dos ideais professados, a ilusão toma o espaço da realidade.

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Fernando, em cena de 3%.

Alguns foram o Fernando e esqueceram das próprias vontades, anseios e pensamentos após terem vivido experiências modificadoras. Associaram-se com pessoas sem saber exatamente o que elas professavam e sacrificaram as próprias experiências em solidariedade a um outrem que, por vezes, nem se importou.

Se 2016 está sendo uma grande distopia, 3% estreou para aclimatar estas reflexões e incitar que pensemos ainda mais sobre a nossa posição na sociedade e as consequências das atitudes que tomamos. Impossível dizer que uma série com esta potência é ruim.

Mayra Sousa Resende

Cursa mestrado em Informática e Antropologia, ambos na UFPR e pós-graduação, a nível de especialização, em Mídias Digitais, na Universidade Positivo. É graduada bacharela em Ciências Sociais pela UFPR, com foco em Antropologia e Arqueologia.

3 thoughts on “3% (2016) – Análise da Primeira Temporada

  1. Gostei muito do que vi até agora. Mas o principal ponto, ao meu ver, foi que não importa se hoje em dia temos sistema de cotas, lutas por direitos étnicos etc. No fundo, somos todos seres humanos tanto para o bem quanto para o mal, não importando raça, cor ou credo.

    1. Oi Silvio, eu acho que é bem o contrário! A série mostra um mundo onde a igualdade de gênero e étnica já foi atingida, mas ainda assim há crueldade e desonestidade. Vemos ainda que há ma primazia entre as pessoas que foram para o Lado de Lá e as que ficaram do Lado de Cá, o que gera um outro tipo de cisão e desigualdade social. Acho que a crítica é forte o suficiente pra dizer que até em um mundo distópico e ideal, há diferença social.

      A meu ver a reflexão que fica é que não basta tentarmos “superar” esta diferença, achando que com isto estaremos resolvendo todos os problemas do mundo. Devemos aprender com as diferenças e criar novas formas de potencializar as partes boas da nossa humanidade, enquanto aceitamos as más, que sempre existirão.

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