IZOMBiE (2015) – Análise da Primeira Temporada

IZOMBiE é protagonizada por uma médica legista que é zumbi. A série reinventa os zumbis e potencializa seu viés heroico, transformando-os de canibais a antropófagos. O texto contém spoilers.

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Olivia Moore em pôster promocional da série.

CONTEXTO

A noção contemporânea de zumbi está radicalmente associada com a crença vodu haitiana, bem como a posição desta no imaginário ocidental. Na perspectiva de Mimi Sheller (2003, p. 141) a etnografia do século vinte no Haiti se ocupou de procurar evidências de zumbis, bem como outras práticas canibais relacionadas, criando um imaginário cultural ficcional que produz estereótipos. O interesse pelo “lado negro caribenho”, como Sheller o nomeia, está pautado em uma noção turística e midiática. O Caribe se torna um espaço de um “passado primitivo”, que faz com que os brancos projetem ali sua modernidade, bem como seus critérios de pretensa superioridade em comparação com os cenários locais.

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Zumbi (1939), pelo artista haitiano Wilson Bigaud.

Dentro das mídias contemporâneas, a primeira aparição de um zumbi de características monstruosas advém de Mary Shelley em Frankenstein, ou O Prometeu Moderno (1818). Na perspectiva de David McNally (2011, p. 19), essa obra se situa em um contexto no qual a ideologia burguesa tomava forma no “cientista desinteressado”, que exumava cadáveres e os recombinava em prol do conhecimento humano. Tal ação tinha por base um processo de disciplina e punição dos corpos proletários que serviam como matéria prima.

A popularidade da invasão zumbi no mundo cinematográfico adveio com A Noite dos Mortos Vivos (1968), de George Romero. Visual esfarrapado, pele apodrecida, membros e órgãos faltando marcam o corpo morto-vivo. O zumbi, costumeiramente representado com movimentos vagarosos, em estado catatônico, visa suprir constantemente sua sede por cérebros.

Para Allan Cameron (2012), os filmes de zumbi compartilham a incapacidade dos meios de comunicação em explicitar os aspectos da ameaça que recaiu sobre a humanidade. Cameron apontou que Despertar dos Mortos (1978), obra sequencial de Romero, apresenta a desorganização e incapacidade da sociedade em lidar com o desastre. De tal forma que a invasão zumbi está diretamente associada a um mundo onde a comunicação de massa se torna fragmentada e, posteriormente, deixa de existir.

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Olivia em uma cena onde cumpre exatamente o estereótipo zumbi.

Observa-se que a partir dos anos 2000 os zumbis foram reinventados na mídia, tornando-se rápidos e poderosos, a ponto de causarem um grande estrago, mesmo sem estarem acompanhados por uma horda. A principal forma de se tornar zumbi, dentro deste imaginário, é através de uma infecção viral. Em algumas obras, este vírus é natural, em outras ele foi produzido em laboratórios. Um zumbi pode transformar outra pessoa, a partir de um contato violento que, geralmente, envolve troca de sangue. Para matar um zumbi é necessário dar um tiro na cabeça. Em algumas obras nem isso resolve.

Apocalipse Zumbi surge no imaginário popular, prevendo uma infestação viral, que transformará a maior parte dos humanos em zumbis famintos. Estes, por sua vez, irão atacar os humanos não infectados, em busca de cérebros, para que possam se alimentar. Como todo Apocalipse, este causaria o fim da humanidade. Alguns filmes, quadrinhos, séries e jogos mostram este apocalipse e é ele a base para o movimento de flashmob contemporâneo conhecido como Zombie Walk.

Para se prevenir de um ataque zumbi, não há filme melhor de dicas do que Zumbilândia (2009).

No quesito serial, The Walking Dead se consolidou como a principal série que aborda a espécie. Tendo iniciado em 2010, a produção está na sétima temporada atualmente. A série é baseada em uma HQ homônima, que é produzida pela Image Comics, desenhada por Tony Moore e Charlie Adlard, com roteiros de Robert Kirkman.

The Walking Dead se passa em um cenário pós-apocalíptico que envolve zumbis, mas seu protagonismo é humano, personificado por Rick Grimes (Andrew Lincoln), um vice-xerife. Tal fato já deixa claro que o foco da narrativa é a sobrevivência humana e não o modo de vida dos zumbis.

Ao contrário de The Walking Dead, em IZOMBiE o protagonismo é zumbi, personificado por Olivia Moore (Rose McIver). Por esta razão a série se demonstra inovadora.

IZOMBiE

A série, criada a partir dos quadrinhos de Chris Roberson e Michael Alfred, publicados pelo selo Vertigo, da DC Comics, é produzida pela CW. Os quadrinhos começaram a ser publicados em 2010 nos EUA e em 2015 no Brasil. A primeira temporada da série foi ao ar em 2015, possuindo treze episódios.

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Página da HQ de IZOMBiE.

Diferente de tudo que havia em seriados televisivos até então, a narrativa é protagonizada por uma zumbi. Olivia Moore (Rose McIver) é uma médica residente, que trabalha até tarde fazendo plantão em um hospital. Constantemente é convidada para sair e ter uma “vida social”, mas sempre rejeita. É noiva de Major Lilywhite (Robert Buckley), divide um apartamento com sua melhor amiga Peyton Charles (Aly Michalka) e é irmã mais velha de Evan Moore (Nick Purcha).

Olivia cede e vai a uma festa, que ocorreria em um barco. No meio da noite, uma enorme briga foi provocada e o barco pegou fogo. Um grande desastre. Muitas pessoas morreram. Olivia estava entre elas. Tal situação é mostrada no episódio piloto e retomada em todos os outros da temporada.

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Olivia acordando da morte.

Logo em seguida, ela aparece saindo do saco do IML, destinado a pessoas mortas. Coloca para fora a água que havia engolido e percebe que seu cabelo mudou um pouco. A cena corta e nos mostra Olivia meses depois. Visivelmente mais branca, cabelo curto e platinado, o que poderia ser considerado um estilo gótico. Sua família, amigos e Major acreditam que ela estava em depressão, devido ao trauma causado pelo acidente. Olivia havia pedido demissão do plantão em que trabalhava e terminou seu noivado com Major.

O fato é que Olivia acordou do desastre com vontade de comer cérebros e não entendeu muito bem o motivo. Com o passar do tempo, ela percebeu que havia se transformado em zumbi e não queria estar próxima de seus familiares e amigos. Com esse novo paladar alimentar, ela precisou pensar em uma forma de conseguir cérebros sem precisar matar pessoas. É assim que ela acaba indo trabalhar como médica legista e começa a se alimentar dos cérebros que chegam lá, já mortos.

Olívia passa por um processo de redescoberta do próprio paladar, quando se vê obrigada a gostar de cérebros. A personagem sempre ressalta que eles têm um sabor metálico e difícil de ingerir. Por essa razão, muita pimenta é adicionada em toda sua comida – o que, depois, descobrimos ser uma característica dos zumbis da série.

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Exemplo de comida de Olivia.

Os cérebros nunca são ingeridos crus e inteiros. Eles passam por um processo de cozimento e normalmente são apenas parte de uma grande refeição, preparada por Olivia. É importante ressaltar que ela ainda consegue comer comida normal. Entretanto, já não se sente alimentada por ela. Apenas cérebros saciam sua fome. Ainda assim, para seguir misturada aos outros humanos normais, ela acaba ingerindo os mesmos alimentos que eles.

Em seu novo trabalho, somos apresentados a Ravi Chakrabarti (Rahil Kohli), um médico britânico, descendente de indianos. Logo no primeiro episódio ele descobre que Olivia é zumbi e acha muito interessante, observando-a sob o espectro científico. Eles conversam sobre como se deu a infecção e Ravi começa a pensar em como criar um antídoto, que traria Olivia de volta à vida.

Olivia começa a ter visões e descobre-se que elas são causadas pelo cérebro recém ingerido. Outra novidade dos zumbis da série: eles não apenas ingerem a carne cerebral, mas ela vem com memórias embutidas. Após a ingestão do cérebro, basta que Olivia passe por uma situação específica, que tenha um teor emocional, para que a lembrança da memória devorada seja disparada.

A lembrança acaba levando Olivia à necessidade de resolver o crime que levou o cérebro à morte. Por esta razão, ela se apresenta a Clive Babinaux (Malcolm Goodwin) como uma médium que tem visões. Ele, novato na repartição, aceita a ajuda da moça, sem saber que se trata de uma zumbi.

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Ravi, Olivia e Clive no necrotério.

A temporada logo nos apresenta aquele que virá a ser o principal antagonista: Blaine DeBeers (David Anders), responsável pela infecção de Olivia e que acabou tornando-se também um zumbi. Após o reencontro dos dois, Blaine pede que Olivia compartilhe com ele os cérebros a que ela tem acesso, para que ele não precise cometer assassinatos. Ela tenta confiar em Blaine, mas não consegue e pede para que ele se afaste. Isso gera uma inimizade entre os dois e faz com que a narrativa cresça e se torne mais densa.

ZUMBI BONZINHO?

Apesar da desconstrução do estereótipo de zumbi que a série proporciona e da empatia que a personagem principal causa, o enredo está sempre lembrando ao espectador de que 1) ela é um zumbi e 2) existem outros zumbis por aí e nem todos são bonzinhos.

Se os zumbis não ingerirem cérebros, eles vão ficando cada vez mais lentos e parecidos com o estereótipo tradicional de zumbi. Para que eles consigam se manter parecidos com humanos e possam continuar convivendo em sociedade e compartilhando dos mesmos espaços, a ingestão de cérebros é necessária. Entretanto, isso faz com que o zumbi tenha que ser “malvado”, no sentido de que como ele precisa comer cérebros, eventualmente ele cometerá assassinatos. Como os assassinatos são cometidos por instinto/necessidade de sobrevivência, eles também não significam que o zumbi em questão seja puramente malvado. Ele pode apenas estar com fome.

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Olivia/Liv em seu Zombie Full Mode.

Apesar do afastamento do estereótipo tradicional, a série ao mesmo tempo afirma sua existência, flertando constantemente com os zumbis. Parte disso é evidenciado com o “Zombie Full Mode”, termo cunhado por Olívia a partir da ideia de zumbi que ela tinha contato em filmes.

O “Full Mode” acaba ganhando outro sentido, tornando-se o “superpoder” dos zumbis da série, sendo o modo “heroico” que o indivíduo recebe quando se torna zumbi. Ele é acionado a partir de qualquer ameaça à sua integridade física, tornando o zumbi superforte, com reflexos rápidos e olhos vermelhos. Como todo superpoder, exige um processo de autodescoberta e autocontrole, que o espectador tem a oportunidade de acompanhar através de Olivia.

CANIBALISMO OU ANTROPOFAGIA?

A presença do canibalismo esteve presente na literatura ocidental desde a sua origem. Como explicitou Catalin Avramescu (2009, p. 16), as menções ao antropophagi estão presentes na historiografia greco-romana. Nas Histórias de Heródoto, para além dos limites do mundo grego há nações canibais com costumes bárbaros. Já na Idade Média, Avramescu denota que estas tiveram grande impacto para o imaginário europeu. Seja através da descrição de exércitos de pobres e selvagens, como boatos de que Ricardo Coração de Leão tinha a preferência pela carne saracena em seus banquetes.

A diferença básica entre canibalismo e antropofagia é a de que no segundo caso come-se as pessoas cujas virtudes queiram ser capturadas. Para os canibais não há uma relação metafísica entre a carne consumida. Desta forma, a ingestão de outro ser da mesma espécie que a sua existe apenas para manter-se vivo. Seja porque faltam outras fontes de alimentos ou porque há algum gosto pessoal por aquele alimento específico.

Avramescu (2009, p. 16) entende que o evento que constitui a literatura sobre canibalismo é a invasão das Américas. O termo canibal tem correlação com a palavra cariba, um termo que os índios Arawak aplicavam para si. Para Sheller (2003, p. 143), as histórias de canibalismo circulam por séculos dentro do Caribe. Seja no momento da invasão e construção do mito da “descoberta europeia”, como os movimentos de abolicionismo e percepção da população sobre o capitalismo. As narrativas que falam sobre o ato de consumir outrem estão sempre circulando.

Para os antropófagos, a ingestão da carne é um experimento metafísico. Isto significa que ao entrar em contato com a carne de outro ser da mesma espécie, você não está apenas ingerindo proteínas, mas também virtudes e forças que compõem o espírito que habitava aquela carne. Desta forma, não se ingere apenas uma carne, mas um pedaço de alma.  Por esta razão, é extremamente importante para o antropófago conhecer sobre quem ele se alimenta, visto que sem o conhecimento, a ingestão da carne pode se transformar em veneno.

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Pôster promocional de IZOMBiE.

Costumeiramente, os zumbis são canibais. Eles comem cérebros e matam pessoas por puro instinto. A princípio, é o canibalismo que aparece em IZOMBiE, visto que Olivia não fazia ideia de que teria as memórias dos cérebros que ingeria.

Conforme a narrativa se desenvolve, vemos que Olivia passa a se preocupar mais com os cérebros que ingere. Isso porque a antropofagia começa a valer: ela não apenas agrega a memória dos cérebros que ingere, mas também suas principais características. Os cérebros afetam seu humor, sua postura perante a vida, sua forma de pensar e agir. Quando ela ingere um cérebro não é apenas a ingestão de uma carne e proteínas, mas sim de tudo que está dentro daquele cérebro – pensamentos, emoções, sentimentos, anseios, medos e traumas. A cada refeição Olivia experimenta uma nova forma de encarar a vida e coloca em prática toda a ideia da antropofagia.

A personagem não tem muita escolha na hora de comer, visto que precisa auxiliar Clive a resolver os casos de assassinato. Isso faz com que, por diversas vezes, ela vá se alimentar já sabendo que experimentará um veneno e não vai ter um bom dia.

Uma cena muito interessante causada por esta questão antropofágica é quando Lowell Casey (Bradley James) se recusa a beijar Olivia por ter ingerido o cérebro de um homossexual. Isso fez com que ele tivesse deixado de sentir atração sexual pelo sexo oposto por um dia, tal a intensidade da captura antropofágica do outro.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A narrativa foi bem amarrada e empolgante, fazendo com que a temporada parecesse curta com seus treze episódios. No entanto, olhando calmamente, eles deram conta do recado. A segunda temporada já foi ao ar, tendo 19 episódios. A terceira está prevista para começar a ser transmitida em 2017, ainda sem data oficial divulgada.

De pontos positivos da temporada temos, além da estrutura narrativa, a trilha sonora e a caracterização dos personagens. O visual de Olivia Moore pode ser substituído pelo de diversas jovens não-zumbis, o que a torna bastante camuflada na sociedade comum. Já o visual de Blaine se assemelha ao de Spike (James Marsters), personagem de Buffy: The Vampire Slayer. Tal caracterização é atemporal e produz um ar misterioso ao antagonista.

Parte da vinheta de abertura de IZombie.
Parte da vinheta de abertura de IZOMBiE.

Outro ponto positivo da série é sua vinheta de abertura, que resgata o estilo de HQ, na qual a narrativa foi originada. A abertura é interessante por, a cada episódio, recontar a história de como Olivia se tornou zumbi. Além disso, o artifício é utilizado a cada quebra de cena, como transição. Isso é bastante interessante, pois transmite ao espectador a noção de estar passando para mais um subcapítulo de uma grande HQ, que na verdade é um episódio de seriado. É uma forma bastante inteligente de realizar o esforço meta-narrativo.

A potência da ficção científica para repensar os nossos problemas também está presente na temporada. Os cérebros revendidos por Blaine, na MeatCute, pertenciam sempre a pessoas com poucas condições sociais – como os jovens supervisionados por Major. Estes cérebros serviam de alimento para multimilionários, que haviam sido transformados em zumbis e se sentiam obrigados a comprar os cérebros de Blaine, sem questionar sua origem. O desaparecimento destes jovens, por sua vez, não recebe destaque na polícia de Seatle, que apenas após muita insistência por parte de Major começa a encarar a situação como um problema. Este conflito exprime muito bem as engrenagens do capitalismo, em que o proletariado morre em prol do burguês e ninguém se importa.

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Pôster promocional da segunda temporada de IZOMBiE.

De expectativas para a segunda temporada ficam, principalmente, a resolução dos problemas gerados no último episódio da primeira. Dado que Blaine foi curado, podemos imaginar que surgirá um outro antagonista na narrativa. Além disso, todas as relações de Olivia estão bagunçadas e, provavelmente, vários episódios serão demandados para resolvê-las.

É esperado, ainda, um foco maior no SuperMax, visto que a empresa é responsável pela criação do vírus zumbi e o produto ainda não foi lançado. Caso esse seja o caminho seguido, é provável que discussões em relação a grandes empresas e a utilização da ciência de forma irregular, visando apenas o lucro, apareça. Tal tipo de problematização já é comum em obras de ficção científica.

REFERÊNCIAS

AVRAMESCU, Catalin. An Intellectual History of Cannibalism. Tradução Alistair Ian Blyth. Princeton: Princeton University Press, 2009.

CAMERON, Allan. Zombie Media: Transmission, Reproduction, and the Digital Dead. Cinema Journal, v. 52, n. 1, p. 66–89, 2012.

MCNALLY, David. Monsters of the Market: Zombies, Vampires and Global Capitalism. Leiden: Koninklijke Brill, 2011.

SHELLER, Mimi. Consuming the Caribbean: From Arawaks to Zombies. London: Routledge, 2003.

Texto escrito por Mayra Sousa Resende e Willian Perpétuo Busch.

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5 thoughts on “IZOMBiE (2015) – Análise da Primeira Temporada

    1. Oi Michele! Agradecemos o seu comentário! Assista a segunda temporada! Ainda não tem na Netflix, mas é fácil de achar para download. É tão boa quanto a primeira! Em breve vamos escrever sobre ela também! Um abraço!

    1. Muito obrigada Kelly! Estamos nos organizando para falar sobre a segunda temporada também! Bem vinda ao Scriptoriumm!

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