Odin’s Krieger Festival 2016 | Resenha

Odin’s Krieger Festival é um festival de música viking realizado no Brasil. A sétima edição do evento foi realizada em Curitiba no dia 25/11 e nós comparecemos.

Odin's Krieger Festival 2016 - Flyer do evento.
Odin’s Krieger Festival 2016 – Flyer do evento.

QUEM É ODIN

Odin é um deus da mitologia nórdica, especificamente proveniente dos povos germânicos. Sua presença é associada à força, morte, cura, realeza, conhecimento, batalha, feitiçaria, poesia, frenesi e o alfabeto rúnico. Seu culto remonta à época em que os povos germânicos foram colonizados pelos romanos, durante a Era Viking. Na Era Moderna, o culto foi continuado, principalmente no folclore camponês dos povos germânicos europeus.

A grafia do nome de Odin já foi diferente. Wöden no inglês antigo, Wödan no saxônico antigo e Wuotan ou Wotän em línguas germânicas antigas. Vários lugares foram nomeados tendo por base o nome da divindade. O dia “quarta-feira” tem seu nome em diversas línguas, incluindo o inglês.

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Representação gráfica do deus Odin

Em textos nórdicos antigos, Odin é retratado como um barbudo de um olho só, empunhando uma lança e vestindo um manto e um chapéu largo. Muitas vezes ele é acompanhado por seus animais: dois lobos e dois corvos, que o trazem informações de diversos lugares. Ele monta um corcel de oito patas. Tem muitos filhos e muitos nomes. Geralmente aparece buscando conhecimento, as vezes disfarçado. Participou da criação do mundo, do alfabeto e da poesia.

No Ragnarok, diz-se que Odin é consumido por um lobo monstruoso, logo após conduzir as almas escolhidas ao Einherjar. Em outra manifestação folclórica ele aparece como líder da caça selvagem.

O ODIN’S KRIEGER FESTIVAL

Não há relação entre as datas de realização do festival e algum trecho da mitologia nórdica. O Odin’s Krieger Festival não tem relação direta com a história de Odin, mas é realizado em sua homenagem e honra. Ele traz à tona outros aspectos da cultura e mitologia nórdica e foca na música, em um estilo de Metal que utiliza letras e melodias referentes às culturas dos povos do Norte. Para além das músicas, o festival conta com o Hidromel, bebida típica da região e feita à base de mel, e lutas medievais.

O Odin’s Krieger Festival, estreou em fevereiro de 2011. De lá para cá, foram seis edições do festival e nelas participaram mais de trinta bandas. A primeira edição ocorreu exclusivamente em São Paulo, contando com a participação de oito bandas e cerca de 1300 espectadores.

A segunda edição do evento ocorreu em 2012, com a presença de catorze bandas e shows realizados em doze cidades diferentes. Londrina, Santos, Cosmópolis, Itu, São Paulo, Goiânia, Tatuí, Rio de Janeiro e Juiz de Fora foram algumas delas.

A terceira edição ocorreu apenas em São Paulo, mas teve recorde de público e contou com a participação de nove bandas. Em 2014 uma quarta edição do evento foi realizada. 2016 ficou com a quinta edição, que ocorreu no dia 25/11 em Curitiba e no dia 26/11 em São Paulo.

Os organizadores do evento não funcionam a partir de uma periodicidade definida. Os locais de realização do festival tão pouco são previamente determinados. Tudo depende de volume de público e oportunidades em relação a datas/espaço e disponibilidade das bandas.

À guisa de classificação, pode-se rotular o evento como centrado no Viking Metal, um estilo que advém da confluência entre Heavy Metal e música nórdica popular, bem como influências do Black Metal e do Death Metal. O diferencial propriamente viking é a temática das letras que faz apelos à mitologia nórdica.

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O público de Viking Metal esperado é muito específico, sendo parte de um nicho cultural consideravelmente pequeno, o que torna a existência de shows e festivais deste tipo mais rara. Tal público varia em idade e não há distinção de gênero. Seu visual também é bastante variável, indo do clássico headbanger ao estilo propriamente nórdico/viking, que se espelha nas culturas ancestrais e atuais dos povos nórdicos. É possível, ainda, encontrar pessoas com visual comum (jeans e camiseta) e outras com visual mais sofisticado (roupas com lantejoulas e uso de salto alto). Dentre a miscelânea de visuais e pessoas, a união se faz a partir da paixão pelas bandas que se apresentarão ou pela cultura que é cultuada no evento.

EDIÇÃO EM CURITIBA

O Odin’s Krieger Festival, edição de 2016 ocorrida em Curitiba, foi sediado no Jokers Pub. O espaço, localizado na região do centro histórico da cidade, é uma ex-casa imperial, restaurada a fim de se tornar um Pub. A sala de shows, porém, faz parte de um anexo à esta construção história, tendo sido realizada pelos donos do Pub em um processo de reforma. O isolamento acústico do espaço é muito bom, assim como a qualidade acústica de seu interior. A divisão de espaços também merece elogios, visto que é possível frequentar apenas o Pub, sem interferência do Show ou frequentar o Show, sem interferir no Pub.

Há banheiros e um bar específico para quem presencia os shows. O espaço é dividido em dois andares, sendo o primeiro a chamada “pista” e o segundo a “área VIP”. O palco, muito bem localizado, pode ser muito bem visualizado em ambos os espaços. A vantagem da área VIP está no fato de proporcionar uma visão aérea e panorâmica das bandas que se apresentam, além de contar com sofás, mesas e cadeiras dispostos e disponíveis para o uso dos espectadores.

Detalhe do local do show. A foto foi tirada do palco, sendo possível ver a pista e a área VIP, acima.
Detalhe do local do show. A foto foi tirada do palco, sendo possível ver a pista e a área VIP, acima.

A equipe do Pub é muito bem treinada no quesito segurança e também em serviços básicos como os de garçom e de limpeza. O local sabe lidar com adversidades e manter o evento em funcionamento. Há várias saídas de emergência bem posicionadas.

O valor para aproveitar deste espaço e do festival, que contava com três bandas, foi muito mais barato do que aquele pago em grandes shows realizados em estádios de futebol, cuja acústica e qualidade de visualização do espetáculo é bem menor. A única desvantagem observada foi em relação à banda principal, Heidevolk, que, por ter seis integrantes, ficou um tanto apertada no palco do local.

Para além do Viking Metal, o Odin’s Krieger Festival celebra a pluralidade cultural nacional. A primeira banda que subiu ao palco foram os piratas curitibanos do Confraria da Costa. A jovem banda, fundada em 2010, produz um tipo bastante específico de sonoridade que pode ser rotulado como Rock Pirata. Em suas músicas percebe a influência massiva do Jazz e do Blues, mas também traços eruditos somados com folks.

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Confraria da Costa no palco do Odin’s Krieger Festival 2016, em Curitiba.

Confraria da Costa possui três produções, sendo Motim, de 2015, a mais recente. O setlist contou com músicas variados e a presença de palco de Ivan Halfon corroborou para um show incrível que, por si só, já valeu o valor do ingresso.

A segunda banda a subir ao palco foi a também brasileira Hugin Munin. O nome da banda refere-se aos dois corvos que acompanham Odin e trazem informações diversas a ele. A banda foi formada em 2008 e seus integrantes são de Santos-SP. Atualmente é considerada um dos maiores nomes do Heavy Metal nacional, possuindo três álbuns e três EPs.

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Hugin Munin no Odin’s Krieger Fest 2016, em Curitiba.

Apesar de costumeiramente rotulados como Viking Metal, a sonoridade de Hugin Munin é bastante única pois se pode identificar muito mais elementos do Heavy Metal e do Death Metal, do que propriamente do Folk. As letras da banda oscilam entre histórias de grandes feitos, batalhas e lutas entre deuses, todavia isso não configura a banda como propriamente Viking.

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Heidevolk no Odin’s Krieger Festival 2016, em Curitiba.

A terceira banda, e carro chefe do evento, foi Heidevolk. A banda, que foi fundada em 2002 com o nome de Hymir, já tem cinco discos lançados e operou de maneira orgânica, apresentando um impressionante som que combina traços do Folk Metal com letras em holandês e a história da mitologia alemã.

VISÃO GERAL DO EVENTO

O Odin’s Krieger Festival se mostrou mais interessante do que o esperado e grande parte disso adveio do carisma e da diversidade do público, que chamou bastante atenção. O intervalo entre a apresentação de uma banda e outro foi o grande ponto fraco do evento, visto que poderia ter sido melhor aproveitado. Por vezes, as músicas que tocavam nestes intervalos se repetiam exaustivamente. Teria sido interessante fomentar a interação com o público mais vezes, tanto durante as apresentações quanto neste intervalo entre elas.

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Clã Skjaldborg realizando uma batalha viking no Odin’s Krieger Festival 2016, em Curitiba.

Um ponto interessante, ocorrido neste intervalo, foi uma batalha viking, realizada pelo Clã Skjaldborg, que se dedica ao Combate Viking e à prática de HEMA (artes marciais históricas da Europa). Caracterizados de guerreiros nórdicos, com direito a espadas, machados e escudos, o grupo encenou uma luta no meio da plateia, gerando grande euforia a todos os presentes.

O movimento de resgate de elementos culturais nórdicos pré-cristãos que enfatiza o combate e a veneração simbólica as divindades de Asgard não deve ser confundido com os movimentos neo-völkisch. Isto porque não é uma manifestação política, mas sim estética e musical. Assim, a cultura nórdica do passado é relida em termos propriamente nacionais e, em grande medida, reinventada.

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Hail Odin!!!

É por conta disto que um festival pode contar com a apresentação de três bandas que são bastante diferentes e que vêm com trajetórias que confluem em um grande experimento musical em homenagem a Odin.

Texto escrito por Mayra Sousa Resende e Willian Perpétuo Busch

 

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