Sabaton: Heavy Metal e História

Sabaton é uma banda de Metal sueca que cria músicas a partir de eventos históricos pouco conhecidos. Uma de suas letras é relacionada com o Brasil. A banda realizou um show em Curitiba, ao qual comparecemos.

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Formação atual da banda Sabaton – Joakim Brodén (no centro), Tommy Johansson e Pär Sundström (à esquerda), Hannes Van Dahl e Chris Rörstrand (à direita).

A BANDA

A carreira da banda sueca Sabaton se iniciou em 1999. Centrada em conflitos históricos reais, as letras de suas músicas oferecem lições de história. Ao mesmo tempo, a memória de heróis, que muitas vezes foram esquecidos pela história hegemônica, é mantida.

Em 2012, Sabaton se transformou. Na ocasião, os dois guitarristas, Oskar Montellius e Rikard Sundén, junto com o baterista Daniel Mullback, deixaram a formação para participar da banda Civil War. Assim, apenas o vocalista, Joakim Brodén, e o baixista, Pär Sundströrm se mantiveram.

De lá para cá dois bateristas já fizeram parte da banda.  Robban Bäck, que foi brevemente substituído em 2012, por Snowy Shaw, pois iria ser pai. Bäck acabou deixando oficialmente a banda em 2013, sendo substituído por Hannes Van Dahl, que ocupa a bateria da banda até o momento.

Arte para o álbum The Last Stand (2016).
Arte para o álbum The Last Stand (2016).

Thobbe Englund havia sido o guitarrista desde a saída de Montellius. Após a gravação do álbum mais recente da banda, The Last Stand (2016), porém, Englund anunciou que deixaria o Sabaton. Seu lugar na banda foi ocupado por Tommy Johansson. A outra guitarra da banda é tocada por Chris Rörland, que ocupa o posto desde a saída dos membros formadores, em 2012.

Os dois guitarristas e o baixista também cumprem a função de backing vocal, sendo essenciais para manter a sonoridade das músicas entoadas por Joakim Brodén.

Sabaton é uma banda bastante prolífica que já conta com ampla quantidade de álbuns. Obras como Primo Victoria (2005), Attero Dominatus (2006), The Art of War (2008), Coat of Arms (2010), Carolus Rex (2012), Heroes (2014) e The Last Stand (2016) se destacam como as principais.

Apesar de possuir diversas músicas cantadas em sueco, a maior parte do repertório da banda é produzida em inglês. Isto permite que Sabaton alcance um público bastante amplo. Fora da Suécia, os shows são ministrados na língua inglesa, o que facilita a interação entre a banda e seu público. Além disso, convém lembrar que o álbum Carolus Rex, é bastante curioso pois suas faixas foram produzidas tanto em inglês, quanto em sueco.

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Arte realizada por El Grimlock.

SMOKING SNAKES

O Brasil ganhou destaque no repertório de Sabaton a partir da música Smoking Snakes (Cobras Fumantes), que fez sua primeira aparição no álbum Heroes, de 2014.

Uma cobra fumando era o logotipo da Força Expedicionária Brasileira durante a Segunda Guerra Mundial. A população nacional, descrente de que o país participaria ativamente da guerra, costumava dizer que “era mais fácil uma cobra fumar” do que a participação ocorrer. A Força Expedicionária aproveitou a brincadeira e a transformou em seu logotipo. Desta forma, os pracinhas brasileiros que lutaram na Segunda Guerra eram conhecidos como “Cobras Fumantes”.

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Logotipo da Força Expedicionária Brasileira (FEB) na Segunda Guerra Mundial.

A música em questão, diz respeito a três pracinhas em específico: Arlindo Lúcio da Silva, Geraldo Baeta da Cruz e Geraldo Rodrigues de Souza. Os dados históricos contam que o trio enfrentou sozinho um pelotão alemão, após terem se separado de sua unidade. A batalha ocorreu no dia 14 de abril de 1945, na Itália e acabou com os três pracinhas mortos. Os próprios inimigos os enterraram e colocaram uma cruz por sobre seus túmulos, como forma de respeito à coragem do trio. Por sobre o túmulo ainda constava uma placa dizendo “três heróis brasileiros”.

Smoking Snakes relata toda esta história, de forma honrosa e possui uma frase cantada em português, que diz “cobras fumantes eterna é sua vitória”. Além disso, a canção remonta aos brasileiros a necessidade de conhecer e honrar seus próprios heróis. Ela nos impulsiona a continuar em pé e crescendo, em honra aos que se recusaram a se render, mesmo fora de casa.

Capa do álbum Heroes (2014).
Capa do álbum Heroes (2014).

Um ponto bastante interessante é que o governo brasileiro desprezou os pracinhas quando retornaram da Guerra. Nas nossas escolas pouco aprendemos sobre os nossos verdadeiros heróis nacionais, que lutaram do lado certo na maior guerra que o mundo já enfrentou. Mesmo assim, uma banda da Suécia soube da história (através de um e-mail de um fã brasileiro), fez uma música sobre ela e tornou a nossa memória mundialmente conhecida. Mais importante que isto: fez com que nós mesmos conhecêssemos a nossa memória através deste importante resgate histórico.

SHOW EM CURITIBA

Em 2016 Sabaton lançou seu oitavo álbum, The Last Stand. Com isso, passou a realizar uma grande turnê, para tornar as novas músicas conhecidas e populares. O Brasil entrou na agenda da banda, pela segunda vez. A primeira havia sido em 2014, quando também houve um show em Curitiba.

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Flyer das apresentações da banda na América Latina (2016).

Desta vez os escribas do Scriptoriumm puderam comparecer e acompanhar o espetáculo. Apesar de ser em um espaço bastante pequeno para o porte da banda e em comparação aos grandes palcos de festivais ao qual está acostumada, o show foi sensacional.

Curitiba carece de locais cobertos adequados para a realização de grandes shows. Ou eles ocorrem em teatros – onde o público precisa ficar sentado, ou em casas de show pequenas. Os estádios – grandes demais e com problemas acústicos e a Pedreira Paulo Leminski são as opções a céu aberto. A exceção é o estádio do Clube Atlético Paranaense, que tem a opção de ser fechado. Ainda assim, os problemas acústicos prevalecem.

As casas de show da cidade são complicadas por terem porte bastante pequeno, o que encarece consideravelmente o valor dos ingressos. Em caso de shows de metal, onde o público demanda espaço para aproveitar o espetáculo, a restrição do mesmo atrapalha.

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Sabaton em Curitiba. Foto por Mayra Sousa Resende.

A vantagem do Music Hall, onde o Sabaton tocou, reside na arquitetura do local, que proporciona uma visão privilegiada do palco a quase todo o público. Por outro lado, o espaço carece de sinalização nos degraus e de manutenção nos espaços de uso coletivo, como os banheiros.

O show começou no horário marcado. A abertura foi por conta da banda curitibana Semblant. Criada em 2006, a banda que possui dois álbuns incríveis, Last Night of Mortality (2010) e Lunar Manifesto (2014), ganhou destaque com seu gothic metal a partir da divulgação da faixa What Lies Ahead. O que mais chama atenção em Semblant, além da alta qualidade sonora, é o contraste dos vocais de Sergio Mazul e Mizuho Lin, que criam uma ambientação mística impressionante.

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Banda Semblant em Curitiba. Foto por Malika Crowley.

Sabaton tocou por cerca de 90 minutos. O repertório foi diversificado, variando entre músicas antigas e novas, com foco para o último álbum. Os fãs demonstraram-se muito ativos, conhecendo, inclusive, as músicas do álbum lançado há apenas dois meses. Faixas como Shiroyama e Winged Hussarls já conquistaram um espaço ao lado de Panzer Division e Primo Victoria. Mas, ao lado de Smoking Snakes, a melhor música foi Swedish Pagans, puxada pela plateia (por um dos escribas que vos escreve, inclusive).

Joakim Bróden não precisou cantar sozinho, pois a plateia entoava com ele os hinos históricos. A sincronia da banda no palco e a forma como souberam se aproveitar do pouco espaço que tinham demonstrou profissionalismo. A interação entre plateia e palco ocorreu em diversos momentos do show, com direito a Joakim ensinando Tommy a falar algumas palavras em português.

Sabaton em Curitiba. Foto por Malika Crowley.
Sabaton em Curitiba. Foto por Malika Crowley.

Quando Smoking Snakes foi tocada e a banda comentou que havia visitado o Museu do Expedicionário e conhecido dois pracinhas, além de ter recebido uma medalha de honra. O público foi à loucura. O local, que já não era grande, pareceu ainda menor quando todos entoaram em conjunto a música em questão. Foi um espetáculo maravilhoso de ver e, melhor ainda, de se estar presente.

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Sabaton no Museu do Expedicionário em Curitiba. Foto por Juliana Casellas.

Texto escrito por Mayra Sousa Resende e Willian Perpétuo Busch.

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