Dune The Butlerian Jihad (2012) – Brian Herbert e Kevin J. Anderson | Resenha

Dune: The Butlerian Jihad é o primeiro livro da trilogia Legends of Dune, que se baseia no universo de Dune (1965). A resenha contém spoilers.

Duna: A Jihad Butleriana (Dune: The Butlerian Jihad), publicado pela Tor Books em 2002, foi escrito por Brian Herbert e Kevin J. Anderson, tomando por base o universo de Frank Herbert, concebido em Dune (1965).

A narrativa compõe uma trilogia, Lendas de Dune (Legends of Dune), junto com A Cruzada das Máquinas (The Machine Crusade), de 2003, e A Batalha de Corrin (The Battle of Corrin), de 2004. E, tal como indica o próprio título, este conjunto de textos serve como fundação histórica, social e cultural, permitindo uma imersão bastante significativa naquilo que Herbert havia concebido. E, certamente, indo além.

A história inicia-se por volta de dez mil anos antes do texto principal, Dune (1965). Neste “passado do futuro”, os humanos vivem em planetas distantes da Terra, pois esta, bem como diversos outros sistemas planetários, estavam sob o controle de Omnius, uma inteligência artificial. O reinado desta foi possível porque, muito antes, um grupo de humanos buscou utilizar do aparato maquínico para dominar o restante da humanidade. Através de uma constante evolução tecnológica, este grupo de dissidentes, nomeados por Titãs, passaram por um processo de conversão e tornaram-se cymeks. Entretanto, o domínio destes não foi longo e Ominius subiu ao poder, transformando os Titãs em seus principais guerreiros.

Os humanos, que se agrupam em uma liga, são liderados pela jovem Serena Butler. O comando militar repousava nas mãos de Xavier Harkonnen, o qual acaba estabelecendo um relacionamento com Serana. Já do lado dos cymeks, um humano destaca-se. Filho do titã Agamemnon, Vorian Atreides tem um status social elevado, apesar de sua condição orgânica.

O conflito contra as máquinas, que estava marcado por constantes vitórias destas, começa a se transformar na medida em que as Sacerdotisas de Rossak passam a ingressar nas linhas de frente humanas. Utilizando de extensos poderes psiônicos, milhares de máquinas são destruídas.

Além disto, em Butlerian Jihad, duas grandes invenções ocorrem. A primeira, feita por Tio Holtzman, permitiu a criação dos escudos pessoais, alterando significativamente o estatuto da guerra. E, em segundo, Aureliu Venport, que ao descobrir o spice melange, passou a estabelecer um circuito comercial para o mesmo.

A humanidade passa a carecer de uma liderança, pois a Liga dos Nobres, que Serena servia como líder, começa a se fragmentar quando esta foi capturada pelo titã Barbarossa. Entretanto, a mesma não foi sumariamente executada, e sim posta como escrava de Erasmus, uma outra máquina que estava interessada em compreender a humanidade. Tal compreensão adivinha do mais variado rol de experimentos e torturas possíveis, que Serena sente em sua própria pele.

Sua sobrevivência, inclusive, é garantida por conta do filho que ela carregava de Xavier, algo que despertou ainda mais a curiosidade de seu captor. Erasmus, por sua vez, acabou por entediar-se com os cuidados que ela direcionava para seu filho, e decidiu remover o feto do útero e destruí-lo.

A morte de Manion, nome dado em homenagem a seu avô, criou um mártir que virou símbolo para a humanidade. Em plano sequencial, Vorian compreende que estava no lado errado do conflito, resgatando Serena e fugindo das máquinas. Estes foram acompanhados de um dos líderes dos escravos na Terra, Iblis Ginjo.

A reação das máquinas foi terrível, e os escravos na Terra foram massacrados. Isto permitiu uma retaliação por parte da liga, que autorizou Xavier em lançar atomics – equipamento nuclear. O que resultou na destruição total da Terra pela frota humana. Os eventos modificaram radicalmente Serena, que assumiu o posto de Sacerdotisa da Jihad, com Iblis no comando como o Grande Patriarca da Santa Jihad. Vorian, assim como Xavier, foram nomeados como generais.

Toda esta ampla narrativa é mediada por seções que retratam Selim. Habitante do planeta de Arrakis, este foi expulso de sua tribo. No deserto, assume o manto de Shai-Hulud, sendo o primeiro a domar uma das grandes minhocas de areia. Motivando assim a primeira revolta contra aqueles que queriam levar o spice para longe.

A Jihad Butleriana é um livro, ao meu ver, impressionante. Para leitores que nunca tiveram qualquer conhecimento sobre o universo de Dune, serve como uma excelente porta de entrada. Cada conceito, que será apresentado posteriormente, recebe um trato muito impressionante, tecendo de modo magistral a complexidade deste universo.

Já para aqueles que estão habituados com Dune e suas sequências, Butlerian Jihad descontrói muitas noções que eram tomadas como dadas. Assim, é um texto responsável por expor, com grande esforço por parte dos autores, ramificações da trama, bem como novos horizontes para discussões que já haviam sido “esquecidas”.

Willian Perpétuo Busch

Pesquisador de Ficção Científica. Mestre em Antropologia (UFPR). Bacharel e licenciado em Filosofia (UFPR), e atualmente cursa História, Memória e Imagem (UFPR).

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