O Último Desejo (1993) – Andrzej Sapkowski | Resenha

O Último Desejo é o primeiro dos cinco livros que compõem a série The Witcher (em polonês, Wiedźmin), que deu origem a séries de televisão, quadrinhos, filmes e o famoso jogo The Witcher.

Capa do livro O último desejo
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O Último Desejo (The Last Wish), de Andrzej Sapkowski, foi publicado originalmente em polonês em 1993, e apenas em 2007 foi traduzido para o inglês. Todavia, somente em 2011 a obra ganhou sua edição em português, através da edição da Martins Fontes. A narrativa gira em torno de Geralt of Rivia, um Witcher, que tem como função vagar pelo mundo caçando criaturas sobrenaturais.

Logo após nascer, Geralt foi abandonado por sua mãe em Kaer Morhen, a fortaleza que servia como quartel general dos Witchers. Esta ordem é composta por guerreiros que são treinados para enfrentar criaturas sobrenaturais que vagam pelo mundo e predam sobre a humanidade. Durante o Trial of the Grasses, um rito que marca a maturidade dos Witchers, Geralt passou por uma série de mudanças em seu corpo e psique. Isso é bastante evidente pela sua pele, que carece de qualquer pigmento. Após este processo, o Witcher vaga pelo mundo cumprindo o desígnio de sua ordem. Algo bastante interessante é que há um distanciamento do personagem em torno das questões políticas locais, de maneira que poderíamos pensá-lo como um híbrido entre os Ronins do Japão e os Cavaleiros Teutônicos da Europa.

Witcher3

A narrativa em si é um desafio para o leitor que não tem qualquer conhecimento sobre aquele universo, pois introduz muitos personagens, locais e termos específicos. Isso acaba criando um certo tom hermético. Por conta disso, caso a experiência de leitura se mostre confusa, a paciência do leitor será recompensada posteriormente.

O texto é organizado a partir de histórias curtas diferentes: The Voice of ReasonThe WitcherGrain of TruthThe Lesser EvilA Matter of PriceThe Edge of the World e Last Wish. A primeira, The Voice of Reason, serve como a malha que costura as outras histórias, apesar de não existir uma relação direta propriamente dita. Isto permitiu que Sapkowski mantivesse o controle do tempo da narrativa, e ao mesmo tempo criava um senso de ordem no “caos” aparente.

Em termos morais, Geralt está situado em uma zona bastante acinzentada. Isto porque muitas vezes aquelas criaturas que ele estava por caçar não tinham, necessariamente, a intenção de causar o mal aos outros. E, por conta disto, o peso da sua “missão” acaba sendo ainda maior. Os reflexos destes dilemas aparecem nas situações de combate, onde é possível perceber situações onde o caçador confunde-se com o monstro. Principalmente quando o sangue começa a jorrar.

Trata-se de uma leitura bastante proveitosa e rápida – isto é, desde que o leitor esteja atento ao que está ocorrendo. O âmbito fantástico mistura-se com influências da cultura polonesa popular, o que cria um segundo nível para o texto que o enriquece ainda mais.

Willian Perpétuo Busch

Pesquisador de Ficção Científica. Mestre em Antropologia (UFPR). Bacharel e licenciado em Filosofia (UFPR), e atualmente cursa História, Memória e Imagem (UFPR).

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