Dossiê Doctor Who | O primeiro Doctor

tardis-1963

Doctor Who é a série de ficção científica mais antiga em exibição. Com origem em 1963, Doctor Who possui um universo expandido em filme, livros, quadrinhos, rádio, séries spin-off, etc. A plot de Doctor Who conta as aventuras de um alienígena viajante do tempo, com aparência humana que se autodenomina Doctor. Ele ama explorar o desconhecido e enfrenta os mais diversos problemas seja com outros alienígenas, robôs ou seres humanos. Com sua nave que por fora é uma cabine telefônica azul chamada TARDIS ele viaja e explora o tempo-espaço.

A narrativa é o resultado da necessidade do canal britânico BBC de ter um programa familiar para passar de sábado à noite. Sobre a produção da série, a BBC não concorda em atribuir a uma só pessoa o crédito de pai ou mãe de Doctor Who, pois diversos nomes estavam envolvidos em sua criação. Na época, o canadense Sydney Newman defendeu a ideia de que o programa deveria ser sobre ficção científica. Alice Frick, Donald Bull e John Braybon ajudaram com os relatórios de desenvolvimento da série e Sydney recrutou a produtora Verity Lambert para dar início a produção. Newman, deixou claro que o programa não poderia se parecer com as outras histórias dramáticas da BBC e que desejava algo voltado para todas as idades, que se tornasse popular,  com autenticidade e contasse aventuras emocionantes.

Já Donald Wilson deu a importante ideia de um uma nave que além de ser uma máquina do tempo, poderia se materializar e desmaterializar de um lugar para outro, deslocando-se pelo espaço. O canal também ressalta que Bunny Webber possui co-crédito, por escrever o primeiro episódio da série e Anthony Coburn é reconhecido como o escritor dos quatro primeiros episódios televisivos. Mesmo Coburn tendo autoria no episódio de estréia An Unearthly Child, David Whitaker que foi o primeiro editor de roteiro junto de Verity Lambert,  foram de extrema importância para a realização desse episódio.

       O Doctor de Hartnell

Actor William Hartnell - the first Doctor - pictured during rehearsals at Television Centre - Studio TC1 - 10th February 1965. *** Local Caption *** Dr Who - - 13/08/2010 (Newscom TagID: mrpphotos282516) [Photo via Newscom]

O ator britânico William Hartnell foi o primeiro rosto do Doctor durante os anos de 1963 à 1966. Hartnell atuou em quatro temporadas seguidas e fez uma breve aparição revivendo o personagem no episódio The Three Doctors em 1973 no aniversário de dez anos da série. Hartnell antes de ser escalado para Doctor Who, era conhecido por interpretar militares durões como no filme Carry On Sargeant (1958) e por seu papel na série The Army Game (1957), ambos de comédia. O ator também fez diversos papéis pequenos como vigaristas, detetives, sargentos ou carcereiros. Em sua carreira cinematográfica, é importante destacar os filmes A Caixa Mágica (1951), O Rato que Ruge (1959) e O Pranto de um Ídolo (1963).

Verity Lambert e Warris Hussein foram convencer Hartnell para o papel  de um senhor que viaja em uma cabine telefônica pelo espaço-tempo. Mesmo não sendo o tipo de personagem no qual estava acostumado a interpretar, logo após a leitura do roteiro inicial, ele viu na série um grande potencial. Assim, temos o primeiro Doctor que era inicialmente reservado, aparentemente incompreensível, estrategista, brilhante, contra o autoritarismo e muito ardiloso. Sua figura era como a de um avô com seus netos.

Até mesmo na literatura, os magos, mestres e anciãos são os detentores do saber por possuir uma idade avançada e com o Doutor de Hartnell não é diferente. Ele é uma persona antiga, inteligente, amigável, exímio cientista para os humanos e traz com ele a confiabilidade no olhar de quem já viveu muito. Características essas que mesmo com a evolução da série, ainda persistem independente do novo rosto que encarna o alienígena. O viajante que já presenciou muita coisa e possui uma bagagem de conhecimento extraordinária, mesmo assim sempre acaba se surpreendendo com a humanidade.

Assim como aconteceu com os Doctors seguintes, o Primeiro Doutor tinha em sua aparência algo que dava um ar de excentricidade. Seu acessório mais presente durante os arcos é uma bengala e Hartnell usava uma peruca para deixar o cabelo do Doctor mais comprido.

Doctor Who?

 Doctor nunca revela seu verdadeiro nome e a pergunta que todos fazem ao conhecê-lo é: “Doutor quem?” (Doctor Who? em inglês). Ele é um Senhor do Tempo nativo do planeta Gallifrey, cheio de mistérios, possui séculos de idade e se estiver gravemente ferido pode se regenerar. A regeneração se tornou uma marca do programa, onde o Doctor troca sua aparência física e sua personalidade, fazendo com que a produção da série escolha outra pessoa para o papel. Vale lembrar que esse conceito de regeneração foi inserido  porque o ator William Hartnell, depois de ter trabalhado em quatro temporadas seguidas e já com 60 anos de idade, precisou deixar a série devido aos problemas de saúde. Não querendo cancelar a série, os produtores introduziram o conceito de regeneração à mitologia de Doctor Who, substituindo Hartnell com um novo rosto para a continuidade do programa. Foi assim, que o ator Patrick Troughton se tornou o segundo Doctor.

O enredo se adapta facilmente com a troca de atores e com o passar dos anos, regras que pareciam terem sido estabelecidas para o público, na verdade estão abertas a mudanças. Elas podem ser exploradas e modificadas com o decorrer das histórias, dos produtores, dos roteiristas e do tempo. Nós estamos falando de uma história que começou há mais 50 anos atrás e se mantém viva até hoje! Nosso mundo mudou, continua em constante mudança e a série se mantém e continuará se adaptando com a realidade. Isso se fez mais explícito nas temporadas atuais, com os produtores e roteiristas explorando melhor a mitologia da história e a vida pessoal do próprio Doctor, muitas vezes com inúmeras referências a Série Clássica.

Períodos

Possuindo dois grandes períodos de produção (alguns fãs defendem a existência de três), Doctor Who possui uma “divisão” em relação a sua história televisiva. O período conhecido como Série Clássica, perdura do ano 1963 até 1989 e dessa época possui ao todo 27  temporadas, com sete Doutores e 2 especiais.

Anos mais tarde, reviveram Doctor Who em um filme para TV que pode ser considerado parte da Série Clássica com o ator Paul McGann como o 8º Doutor. Intitulado Doctor Who – The Movie o filme foi o resultado da parceria da BBC com o mercado televisivo americano. A série estava em seu hiatus desde 1989 e os fãs pediam massivamente pela volta do programa, mas o canal britânico não conseguiria produzir Doctor Who devido aos custos. A BBC então decidiu apostar nos EUA e depois de algumas negociações, a Fox tornou-se a co-produtora do filme. A ideia era continuar Doctor Who e atingir o público americano e mesmo com um bom índice de audiência no Reino Unido, o filme foi um fracasso nos Estados Unidos. Em Doctor Who – The Movie, o sétimo Doctor já próximo de sua regeneração, precisa levar o corpo do Master (seu arqui inimigo) para Gallifrey. Mas, o Marter ainda estava vivo e  causa uma falha proposital na TARDIS fazendo com que ela pouse em San Francisco no ano de 1999 para colocar seu plano maquiavélico em prática e o Doctor precisa então impedi-lo. na volta da série anos mais tarde.

Já em 2005, indo ao ar pela BBC One, Doctor Who volta sendo considerada a Série Nova (New Who) ou Série Atual, começando as aventuras com o 9º Doutor interpretado pelo ator Christopher Eccleston. Lembrando que foi o filme Doctor Who – The Movie que apresentou uma nova estética ao interior da TARDIS, que foi aproveitada na Série Nova  Atualmente já possui dez temporadas com quatro Doutores do total. A Série Atual divulgou recentemente que a atriz Jodie Whittaker interpretará a Doutora em sua 13ª regeneração.

O início de uma longa jornada

A primeira temporada possui oito arcos e o primeiro foi ao ar em 23 de novembro de 1963 com o título An Unearthly Child (Uma Criança Inesperada). Na época o programa não era exibido na forma de episódios individuais como hoje, mas em arcos que são um conjunto de episódios que seguem a narrativa de uma única história. Nessa temporada os arcos são respectivamente:

  • An Unearthly Child (com quatro episódios)
  • The Daleks (com sete episódios)
  • The Edge of Destruction (dois episódios)
  • Marco Polo (com sete episódios)
  • The Keys of Marinus (seis episódios)
  • The Aztecs (seis episódios)
  • The Sensorites (seis episódios)
  • The Regin of Terror (seis episódios)

A primeira história

An Unearthly Child (também chamado de 100.000 aC) possui um enredo envolvente que deu início ao que hoje é uma série de marco histórico britânico e de reconhecimento mundial. Todo o arco é roteirizado por Anthony Coburn, contendo quatro episódios (An Unearthly Child, The Cave of Skulls, The Forest of Fear e The Firemaker). No primeiro episódio roteirizado por Anthony Coburn e dirigido por Waris Hussein, conhecemos os professores Ian Chesterton (William Russell) e Barbara Wright (Jacqueline Hill), que estranham o comportamento de Susan Foreman (Carole Ann Ford), uma de suas alunas. Eles decidem então visitar Susan em sua casa e acabam descobrindo que na verdade ela mora em um ferro-velho, encontrando por lá uma cabine telefônica. Um velhinho aparece e diz ser o avô de Susan, se apresentando como The Doctor (Wiiliam Hartnel). Assim como sua neta, ele é um alienígena  viajante do tempo. O ponto de partida para as histórias posteriores ocorre no momento em que os personagens Barbara e Ian descobrem que a cabine é maior por dentro e que ela é uma nave espacial. Temendo que os professores contem sobre a TARDIS para outras pessoas, o Doctor decide “sequestrá-los” para dentro da nave que os levam para o passado.

An_Unearthly_Child

A história continua no segundo episódio intitulado The Cave of Skulls, dirigido por Hussein e Douglas Camfield. O Doctor sem saber em que ponto do passado a TARDIS os levou, decide sair da nave para conhecer o local e acende seu cachimbo. O que ele não sabia é que os homens “primitivos” estavam em uma espécie de procura pelo segredo do fogo que a geração passada não os ensinou e quem conseguisse obter fogo, se tornaria o líder da tribo.  Assim, um homem chamado Za ataca o Doctor e o leva para a tribo. Em The Forest of Fear,  temendo que os viajantes façam fogo a anciã (Old Mother) liberta os viajantes e no último episódio The Firemaker, apresenta o Firemaker que era o pai de Za, líder da tribo e mostra como ele obteve fogo. O Firemaker foi morto antes que conseguisse passar seu segredo para outra pessoa.

No desenrolar desse arco e de seus quatro episódios que se passam no ano 100.000 aC, o Doctor, sua neta Susan e os professores se envolvem em uma aventura no período paleolítico da Terra. Ou seja, Doctor Who de uma forma levemente cômica trabalha com a ideia de que quando o Doctor viaja para algum ponto do passado, as decisões feitas por lá coincidem de alguma maneira com um acontecimento que tornou-se marco histórico.

 

Desenrolar dos arcos

Assim como é estabelecido no primeiro arco,  Susan, Ian e Barbara continuam sendo as companhias do Doutor nas viagens. Conhecemos os antagonistas alienígenas Daleks e seu planeta Skaro no arco The Daleks. Esse arco na época foi bastante famoso e os Daleks até hoje são um dos inimigos mais importantes de Doctor Who. O terceiro arco The Edge of Destruction é ambientado apenas dentro da TARDIS e quanto ao quarto arco intitulado Marco Polo, a história se passa em 1289 na China. Nessa aventura, os viajantes da TARDIS conhecem Marco Polo e o Imperador mongol Kublai Khan, tornando esse enredo o primeiro a aparecer uma figura histórica. No quinto arco The Keys of Marinus, seus seis episódios se desenrolam em uma história arriscada onde o Doutor e seus companions estão no planeta Marinus, mais precisamente em uma ilha de vidro com mar de ácido. Roteirizado por Terry Nation (o mesmo de The Daleks), o enredo apresenta uma longa jornada onde o ancião Arbitan força os viajantes a recuperar chaves para operar um supercomputador chamado Consciência Marinus. No arco é apresentado os inimigos guerreiros Voord que não superaram a fama dos Daleks entre o público.

 

an-uneartlhy-child

 

Em The Aztecs, no ano de 1430 os viajantes estão na América do Sul e a professora Barbara acaba sendo confundida pelos Astecas como a reencarnação de um sacerdote e é considerada uma deidade. Vemos nesse arco os recursos de figurinos um pouco mais trabalhados se tratando de outro episódio histórico. No penúltimo arco intitulado The Sensorites, a série começa a explorar melhor as viagens para o futuro. Se passando no século trinta, a TARDIS vai parar em uma nave espacial que orbita a Terra e possui seres telepáticos chamados Sensorites. O último arco The Reign of Terror volta a explorar eventos históricos da humanidade se passando na França do século XVIII com o Doutor em uma intriga da elite governante na Revolução Francesa.

A primeira temporada da Série Clássica é um registro do passado televisivo e  introdução do Universo de Doctor Who. O canal BBC, mesmo com poucos recursos técnicos disponíveis para a época, conseguiu com um enredo novo e diferente fazer histórias de ficção científica para o público de todas as idades. Assim como Star Wars, os fãs se dividem em relação de qual é a maneira “recomendável” de começar a assistir Doctor Who. Visto que boa parte do público brasileiro conheceu a série devido a internet e em sua maioria tiveram inicialmente acesso apenas a Série Nova, não há nenhum problema em assistí-la. Mas, sugiro que após completar todas as temporadas procure ver a Série Clássica, já que em diversas histórias dos episódios atuais, há referências e homenagens carinhosas aos antigos Doctors que poderão passar despercebido.

 

REFERÊNCIAS

Who’s Who?  | Who Created Who?  | The Doctor Who Site – TimelineSite Syfy Doctor Who | Site Shannon Sullivan

Wikia Doctor Who | Plano Crítico, Doctor Who – Série Clássica An Uneardthly Child | 8º Doctor – Universo Who

Julia Brazolim dos Santos

Técnica em Informática. Leitora assídua dos mais diversos gêneros literários e fanática pela série Doctor Who.

2 thoughts on “Dossiê Doctor Who | O primeiro Doctor

  1. Impressionante quanto ao interesse pelo surreal e fantasia e mesmo a ficção estão “na cabeça” das pessoas.
    Mesmo que com um pouco de humor, fantasia, drama e suspense, atrelado aos efeitos especiais e tecnologia enriqueçam todo o conjunto para um belo espetáculo.
    “Dr Who” me parece conter tudo isso. Nunca assistí. E prefiro ainda continuar assim. Gosto dessa “expectativa” que as pessoas fazem quando se referem a ele.
    Esse conteúdo “linha do tempo” que fizeste era o que procurava para ter uma noção geral desse universo.
    Mui Grato! Parabéns!

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: