Action Comics #1: Superman | Jerry Siegel & Joe Shuster | Resenha

 

Superman, publicado na primeira edição da Action Comics, de junho de 1938, escrito por Jerry Siegel e arte de Joe Shuster, é a primeira narrativa em quadrinhos em que a história de Clark Kent é apresentada. Apesar da ideia de um “Superman” já ter sido rascunhada anos antes, por Siegel e Shuster, a imagem arquetípica do herói se transformou radicalmente.

Resumo

A apresentação de Superman no primeiro volume da Action Comics (1938) é significativa. O teor de ficção científica está presente, na medida em que se escolhe uma história de origem racional para o personagem. Kent advém em um planeta que havia avançado milhões de anos, de modo que seus habitantes, quando atingiam a maturidade, desenvolviam força titânica. O planeta de origem não é nomeado e sua destruição está ligada com a sua longevidade, não propriamente com algum tipo de cataclismo ou guerra.

Forte e rápido, Superman, neste primeiro volume (1938), não voa, apenas salta. Para explicar a plausibilidade das capacidades do Superman, Siegel e Shuster usam dois tipos de insetos como metáfora – as formigas e os gafanhotos. Ambos são seres que existem em nosso planeta, e que realizam proezas que são racionalmente compreensíveis, portanto, imaginar que isto no futuro seja uma capacidade de humanos evoluídos é plausível.

O âmbito de ser o último sobrevivente de seu planeta, que é enviado ainda bebê para a Terra, e ser criado por humanos é rapidamente mencionado. Pouco sabemos sobre essa infância de Kent, e logo a ação propriamente dita é apresentada. Superman é imune a facas, e também a armas de fogo. Sua ação ao longo da narrativa, que implica em salvar um inocente da pena de execução e derrotar uma organização criminosa, não é exatamente heróica.

Isto é, Superman age nessa história muito mais como um vigilante, do que propriamente um herói. Neste sentido, um personagem até comenta que é sorte que o personagem esteja do lado da lei e não o contrário. Todavia, estas qualidades não aparecem na persona de Kent.

Como um repórter, Kent é bastante medíocre. Suas ações beiram a covardia e conseguem manter a imagem de um sujeito fraco, sem nenhuma capacidade digna de nota. Isso é refletido na relação do herói com Lois Lane, que se mostra muito mais interessada na figura do Superman, quando este a salva de um grupo de criminosos.

Análise

Para além das comparações com os insetos, que fornecem um grau ficcional de plausibilidade científica, é importante perceber que o Superman é construído como superior, em termos morais e físicos, em relação àquilo que está a sua volta. Em termos físicos, isto é perceptível pela própria ação narrativa. Não há nada que ofereça um perigo real ao personagem.

A superioridade moral advém de sua própria definição como “campeão dos oprimidos”, alguém que “jurou devotar sua existência para ajudar aqueles que precisam”. Neste sentido, a opressão está diretamente associada para aqueles que estão sendo injustiçados perante uma lei extra-humana que não se confunde com aquela do Estado. O próprio ato do Superman, em visar proteger uma pessoa que havia sido condenada injustamente à pena de morte, é um exemplo disto. Por outro viés, a superioridade moral aparece na medida em que Kent consegue ser uma persona totalmente inexpressiva, que não faz uso de seus poderes para atingir seus objetivos. Os defeitos de Kent são justamente aqueles que revalidam sua proeza extra-humana.

Considerações Finais

Um elemento estilístico, que salta aos olhos do leitor contemporâneo, é o brasão do Superman. Na imagem da capa, o S é perceptível sob um fundo amarelo. Apesar de ter um design diferente daquele habitual, entende-se do que se trata. Todavia, com exceção do último frame, apenas o amarelo aparece. Seja em imagens que sugerem movimento e aceleradas, ou naquelas em repouso, o símbolo amarelo parece oscilar para algo como um F.

Apesar de breve, cerca de treze páginas, a narrativa consegue oferecer pistas para uma eventual construção do personagem. Deixando a história curta, anteriormente mencionada, de lado, os elementos que estruturam Superman estão ligados com a ciência e com o projeto de modernidade. Seu ambiente é a cidade e seus inimigos, ao menos neste primeiro momento, são oriundos de uma sociedade industrial. O governo, tal como é apresentado, é uma representação daquele da época. Para uma narrativa de 1938, deve-se demarcar que ela não está perpassada pela ainda pela ansiedade que antecedeu a Segunda Guerra Mundial. Algo que irá mudar no volume do mês seguinte.

REFERÊNCIAS

SIEGEL, Jerry; SHUSTER, Joe. Superman #1. In: SULLIVAN, VINCENT A. (Org.). Action Comics #1. New York: Detective Comics, 1938.

SULLIVAN, Vincent A. (Org.). Action Comics #1. New York: Detective Comics, 1938.

Willian Perpétuo Busch

Pesquisador de Ficção Científica. Mestre em Antropologia (UFPR). Bacharel e licenciado em Filosofia (UFPR), e atualmente cursa História, Memória e Imagem (UFPR).

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